As páginas de lutas e glórias escritas pelo “futebol feminista” explicam o porquê de existir o Dia da Mulher

Cristiane é uma das atletas que mais vestiu a camisa da seleção feminina.
Cristiane é uma das atletas que mais vestiu a camisa da seleção feminina. / Marcos Limonti/AltaPhoto
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Vivemos um tempo em que é necessário elucidar o óbvio, defender valores básicos a ponto de só faltar desenhar. O feminismo se encaixa nesse contexto. Desde que movimentos de extrema direita voltaram a ganhar corpo no Brasil, as reivindicações feministas passaram a sofrer ataques de vários lados, como se quem as propusesse fosse radical, e não quem as repele. Assim caminha a humanidade, com avanços em meio a solavancos e batalhas contra retrocessos.

É preciso dizer, com todas as letras, que não há evolução possível sem o feminismo. Em todas as áreas, em todos os campos. E não poderia ser diferente em relação ao futebol. A partir de uma sacada magistral, bolada a quatro mãos pela tabelinha entre Darcio Ricca e Luciane Castro, o livro Futebol Feminista - Ensaios, lançado este mês, joga luz sobre a importância do ativismo e da luta política para que as mulheres pudessem conquistar seu espaço no esporte mais popular do mundo.

“A mulher, quando ocupa um espaço tão masculino como o futebol, às vezes nem se dá conta de que isso já significa um posicionamento político. Se não tivéssemos mulheres que metessem o pé na porta, dispostas a lutar por igualdade de direitos, o futebol feminino jamais evoluiria”, explica a jornalista e autora do livro, Lu Castro.

De forma leve, a narrativa nos convida a flutuar pela meia-cancha de um jogo de gala, onde boleiras e feministas vestem a mesma camisa. De Marta a Lélia Gonzalez. De Sissi a Marielle Franco. Afinal, as histórias do futebol feminino e do feminismo sempre se cruzaram, indissociáveis na árdua peleja por igualdade. São exemplos que mostram o porquê de existir o Dia Internacional da Mulher. Não para felicitações pelos avanços alcançados, mas para lembrar que ainda há muito por fazer e conquistar.

Graças ao suor e engajamento de muitas mulheres, hoje as jogadoras podem comemorar as primeiras vitórias, a exemplo da equiparação de premiações pela CBF. As meninas podem sonhar com a carreira de atleta. O final feliz para essa jornada é que o futebol feminino seja retratado apenas pela evolução do jogo, sob o viés da análise tática e técnica das partidas. Porém, ainda há um longo caminho pela frente. 

A melhor maneira de evitar retroceder é aprender com a história. Como frisa Lu Castro, “a mulher em campo é um ato político”. Por isso, a leitura de Futebol Feminista - Ensaios é um dever cívico dos amantes da modalidade, assim como a adesão incondicional à luta por igualdade. Todos os dias.