Opinião

Ao aceitar vender Luiz Henrique, Fluminense fere torcida e prova que abraçou de vez a mediocridade

Nathália Almeida
Luiz Henrique é um dos principais ativos do elenco tricolor
Luiz Henrique é um dos principais ativos do elenco tricolor / Wagner Meier/GettyImages
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Em uma semana na qual o otimismo pairava sobre as Laranjeiras e a euforia tomava conta das arquibancadas tricolores - cenário mais que justificado pela sequência de 12 vitórias e resultados positivos nas fases prévias da Conmebol Libertadores -, tudo caiu por terra por conta de uma notícia desoladora para o torcedor do Fluminense: segundo apuração do ge.com e de outros veículos de imprensa, o clube carioca encaminhou a venda do talentoso Luiz Henrique ao Real Betis, da Espanha, em negociação que deve girar em torno de 13 milhões de euros (R$ 70 milhões).

Apontado como um dos jovens talentos mais promissores em ação na Série A hoje, Luiz Henrique é um dos destaques individuais deste início de temporada do Fluminense e é, sem dúvida, um dos grandes ativos do elenco tricolor na atualidade. O interesse estrangeiro em seu futebol, portanto, é natural e esperado. Mas a iminente venda do camisa 11, especialmente nestes termos apresentados não poderia ser mais nociva e dolorosa: do timing aos valores envolvidos, passando pela perda técnica, não há absolutamente nada de positivo para o clube das Laranjeiras neste negócio.

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Luiz Henrique é um dos jogadores diferentes deste elenco tricolor / ANTONIO LACERDA/GettyImages

Entende-se que o Tricolor dependa da venda de ativos para seguir sobrevivendo mas, para um clube não conquista nada relevante desde o longíquo ano de 2012, abrir mão de uma de suas referências técnicas e grande esperança por um futuro vencedor é mais uma prova de como o clube e seus gestores abraçaram a mediocridade: para os homens fortes do Fluminense, parece não importar quantos anos mais o clube seguirá na fila, desde que empresários estejam satisfeitos e o fluxo de caixa esteja minimamente em ordem.

Talentos brutos como Luiz Henrique são cada vez mais raros no futebol mundial. Não há, hoje, nenhum outro jogador no elenco tricolor que cumpra com qualidade as mesmas funções, técnicas e táticas, desempenhadas pelo garoto de 21 anos. R$ 70 milhões, hoje, não resolvem a vida do Tricolor Carioca, se é que este é o verdadeiro valor que chegaria aos cofres do clube. No Fluminense dos absurdos, o adeus de Luiz Henrique é mais um duro golpe ao machucado torcedor tricolor, único setor da instituição que ainda parece desejar um clube forte e protagonista.

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