Corinthians: reviravolta suspende venda de volante André ao Milan; entenda os motivos
- Negociação era dada como certa nos bastidores do Parque São Jorge
- Estafe do atleta entende que minutas contratuais já foram trocadas e deve insistir por venda
Por Nathália Almeida

A transferência do jovem volante André para o futebol italiano, que era tratada como um negócio praticamente selado nos bastidores do Parque São Jorge, sofreu uma reviravolta drástica e inesperada nas últimas horas. Isso porque o presidente do Corinthians, Osmar Stabile, decidiu por não ratificar o contrato de venda ao Milan. A negociação girava em torno de 17 milhões de euros, montante que se aproxima dos R$ 103 milhões na cotação atual, mas o mandatário recuou no último instante por considerar que o valor não faz justiça ao potencial de mercado da promessa alvinegra.
Este movimento de recuo ocorre estrategicamente após o vazamento de detalhes financeiros que não agradaram à cúpula diretiva. Inicialmente, o estafe do jogador e o departamento de futebol conduziam as tratativas como avançadas, restando apenas a assinatura formal do presidente. Contudo, Stabile optou por silenciar sobre o tema até o encerramento do compromisso contra o Novorizontino, batendo o martelo sobre a negativa apenas no domingo. Para o dirigente, os 70% dos direitos econômicos pertencentes ao clube valem mais do que o que foi colocado na mesa pelo clube da Serie A Italiana.
A influência de Dorival Júnior e o clima de instabilidade interna
A postura rígida do presidente encontrou eco nas recentes declarações do técnico Dorival Júnior. Logo após a eliminação da equipe na semifinal do Campeonato Paulista, o treinador não poupou críticas à possibilidade de perder um de seus principais talentos precocemente. Dorival defende que André, com apenas 19 anos, precisa primeiro oferecer um retorno técnico sólido dentro de campo antes de servir como moeda de troca para equilibrar as finanças. O técnico desabafou sobre a dificuldade de reconstruir o elenco constantemente diante de vendas prematuras de jovens da base.
Essa resistência do treinador, somada à repercussão negativa entre os torcedores, forçou uma mudança de postura na comunicação do clube. O executivo Marcelo Paz precisou intervir publicamente para esclarecer que, embora o Corinthians necessite de receitas extraordinárias para fechar suas contas, nenhuma transação é definitiva sem o aval soberano da presidência. A oferta milanista consistia em um pagamento fixo de 15 milhões de euros, acrescido de bônus por metas de desempenho, mas a pressão interna parece ter pesado mais que o aporte financeiro imediato.
Consequências jurídicas e o futuro da joia corintiana
O grande problema desta história reside na esfera legal e na insatisfação dos representantes do volante. O estafe de André sustenta que o negócio já possui validade jurídica, uma vez que houve troca de minutas contratuais e assinaturas de quase todas as partes envolvidas, com exceção de Stabile. Existe o temor de que o Milan acione a Fifa por quebra unilateral de acordo, alegando que a proposta era vinculante. Por outro lado, o departamento jurídico do Corinthians minimiza o risco, tratando as tratativas anteriores apenas como uma fase preliminar de negociação sem poder de obrigação legal.
André, que soma 24 partidas e quatro gols pelo profissional, agora se vê em meio a uma "encruzilhada" administrativa. O plano original previa que ele assinasse por cinco temporadas com o clube europeu, permanecendo no Brasil até o meio do ano devido ao fechamento das janelas de transferências. Com uma reunião oficial marcada para esta segunda-feira (2), o presidente pretende oficializar a recusa, deixando o futuro do atleta em aberto e o relacionamento com o mercado internacional em estado de alerta.
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