Entidade máxima do futebol europeu, a Uefa oficializou nesta sexta-feira (24) uma punição de seis partidas ao atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica. A decisão é decorrente de atos de "conduta discriminatória" direcionados ao brasileiro Vinícius Júnior, durante o embate entre o clube português e o Real Madrid pela Champions League, ocorrido em fevereiro.
Detalhes da pena e aplicação da suspensão
Embora a pena nominal seja de seis jogos, a aplicação prática possui nuances importantes. A Uefa determinou que três dessas partidas ficarão sob um regime probatório de dois anos. Isso significa que o atleta só precisará cumprir metade da pena imediatamente, desde que não reincida em infrações semelhantes nesse intervalo.
Como Prestianni já cumpriu uma suspensão preventiva no jogo de volta no Santiago Bernabéu, restam apenas dois jogos efetivos de afastamento. Segundo nota emitida pelo Benfica, a sanção abrange torneios organizados pela Uefa e competições sob a chancela da Fifa, incluindo eventuais convocações para a Copa do Mundo.

Relembre o caso e o conflito de versões
O incidente ocorreu no Estádio da Luz, logo após Vinícius Júnior marcar o primeiro gol do Real Madrid. A celebração do brasileiro perto da torcida mandante gerou um princípio de tumulto e rendeu a ele um cartão amarelo. No entanto, a situação escalou quando Vini Jr. denunciou ao árbitro francês François Letexier que havia sido alvo de ofensas racistas proferidas por Prestianni.
O protocolo antirracismo foi acionado, interrompendo o confronto por cerca de 10 minutos. Durante o intervalo, o clima de tensão se espalhou pelas arquibancadas, com a torcida do Benfica entoando xingamentos e arremessando objetos contra o atacante brasileiro.
Nos bastidores e nas redes sociais, o caso ganhou repercussão mundial. Kylian Mbappé, companheiro de equipe de Vini, reforçou a denúncia, afirmando ter ouvido insultos racistas repetidas vezes. Por outro lado, a defesa de Prestianni negou o teor racial das ofensas. Segundo o volante Tchouaméni, o argentino alegou ter utilizado um termo homofóbico em espanhol, "maricón", tentando negar o uso da palavra "macaco".
Independentemente da justificativa, a Uefa manteve o rigor da punição baseada na discriminação.
