Apesar do bom início de temporada, o Barcelona passa por dias turbulentos e muito por conta da ‘Moção de Censura’ contra Josep María Bartomeu. Ou seja, em termos políticos, da proposta apresentada pelo Parlamento Catalão – isto é, de parte dos cerca de 150 mil membros do clube – para manifestar a sua falta de confiança no mandatário da instituição, fazendo, em caso de obtenção do apoio necessário, com que ele destitua o cargo máximo do Camp Nou.
Como o Barça chegou a esse cenário?
✅ 1⃣9⃣.3⃣8⃣0⃣
— Plataforma Més que una Moció (@MesQueUnaMocio) October 8, 2020
? Hem parlat clar
❌ No allargueu l'agonia
? Fixeu data al referèndum
? Feu honor als valors democràtics del @FCBarcelona_cat i poseu les urnes#MesQueUnaMocio pic.twitter.com/W5aNvtbTIS
A derrota esmagadora do Barcelona para o Bayern de Munique (8 a 2), em Lisboa, pela última edição da Champions League, foi a gota d’água para a maioria dos torcedores do clube, incluindo para um grande número de sócios. Além disso, os insucessos recentes contra Roma e Liverpool também pesaram em favor da ‘Moção de Censura’ – e também para o desejo de saída de Lionel Messi. Vale lembrar também dos problemas que a agremiação passou, dos escândalos e muitas outras complicações no governo Bartomeu.
Diante de tantos fracassos, um grupo de sócios mais engajados no clube formou o ‘Més que una Moció’. Sob direção de Jordi Farré, pré-candidato às eleições presidenciais do Barcelona no próximo ano, e com objetivo de obter ao menos 16.521 assinaturas válidas de membros do time para apresentá-las no Camp Nou como o primeiro passo para solicitar o voto de censura justificado no desejo de uma parte do referido “Parlamento”.
Após duas semanas, o grupo conseguiu 20.687 votos, dos quais 19.380 eram válidos. Diante do recorde, o Barcelona insistiu que parte dos votos eram falsos para atrasar o avanço do processo da moção de censura.
E agora?

Com uma ampla margem de assinaturas obtidas para o mínimo necessário, Jordi Farré e demais envolvidos na iniciativa esperam que a justiça resolva a situação das denúncias de falsificação das assinaturas e que logo eles possam iniciar os próximos passos: convocação de eleições e votação. Ou seja, a abertura de um pleito para todos os membros do time em que a questão central seria: “Você é a favor da Moção de Censura, e, portanto, a remoção do atual Conselho de Administração do FC Barcelona?”
Em seguida, para que esta proposta prossiga, há dois requisitos que precisam ser cumpridos: o primeiro é que ao menos 10% do total dos sócios do Barça precisam votar e, caso esta etapa seja cumprida, ao menos dois terços dos eleitores (66.7%) precisam ser favoráveis ao afastamento de Bartomeu. Assim, caso tudo ocorra de forma correta, a Moção de Censura seria aproveitada e o Conselho de Administração de Josep María Bartomeu destituído.
Por fim, com a queda da gestão do cartola, seria formado um Conselho de Administração provisório até a realização das eleições. Um novo pleito que deverá acontecer entre os próximos 40 e 90 dias.
Quais opções Bartomeu tem?
? @sport
— Plataforma Més que una Moció (@MesQueUnaMocio) October 8, 2020
?♂️ '#MesQueUnaMocio sobre la denuncia del club: "Roza el ridículo"'
⛔ "Nos duele que las herramientas del club para defenderse de este proceso democrático sea acusar a sus socios de falsficar"https://t.co/zVg4MvtDMo
Inicialmente, Josep María Bartomeu vai ficar no cargo de presidente do Barcelona até 30 de junho de 2021. Porém, com essa nova situação, há chances de ele cair antes. O que ele pode fazer? Sem muitas alternativas, o dirigente tem basicamente três opções: a primeira já foi utilizada, na qual ele alegou que parte das assinaturas adquiridas para o processo da moção de censura eram faltas. Com isso, ele atrasou o curso do instrumento parlamentar e, caso a justiça confirme tal irregularidade, há chances até de o movimento ser interrompido por completo.
A segunda opção é, caso o primeiro ‘recurso’ não funcione, é esperar e confiar que 10% dos sócios não comparecerão para votar ou que 66.7% dos eleitores não serão favoráveis ao seu afastamento.
A terceira e última é o próprio mandatário renunciar o cargo. Com isso, ele deixaria a presidência catalã, mas não seria o primeiro a ser derrubado do posto de cartola do FC Barcelona.
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