A Uefa definiu em seis jogos a punição ao argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, por conta de manifestações racistas contra o atacante brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid, em jogo da Champions League. No entanto, a forma como a pena foi definida não pegou bem, sequer, junto a determinados ídolos do próprio clube português.

O ex-zagueiro Luisão, por exemplo, foi um que se posicionou com duras críticas à entidade que comanda o futebol europeu. Segundo ele, "o recado que fica é perigoso", já que há brechas para parte da sanção não ser cumprida.
"Deixa no ar uma sensação desconfortável de que, no futebol, ainda existe uma espécie de hierarquia do preconceito. (...) Parece que, dependendo do caminho escolhido, sempre existe uma forma de amenizar as consequências, que deveriam ser duras e exemplares. E isso não pode ser normalizado."Luisão, ex-zagueiro do Benfica
Como Prestianni cumprirá punição imposta pela Uefa?
Prestianni foi punido não por racismo, mas sim por 'conduta discriminatória'. Na prática, pode ficar apenas mais duas partidas de fora – segundo o Benfica, a pena vale para competições da Fifa e da Uefa.

Na época do ocorrido, já foi alijado do duelo de volta entre as duas equipes. Além disso, outros três jogos só serão cumpridos caso volte a cometer a mesma infração no período de dois anos. A revolta de Luisão é justamente por conta desta última possibilidade.
A manifestação de Luisão na íntegra
"A decisão da Uefa sobre o caso Prestianni pode até ter seguido um caminho “seguro”, mas ela deixa no ar uma sensação desconfortável de que, no futebol, ainda existe uma espécie de hierarquia do preconceito, como se alguns fossem tratados com mais rigor do que outros.
Parto do princípio de que racismo e homofobia são igualmente graves. Não existe versão “mais leve” de ofensa quando se trata de discriminação a outro ser humano, mas, na prática, a gente sabe que muitas vezes não é assim que funciona.
O que me incomoda profundamente é a forma como esse caso se desenrolou. Uma fala que antes era negada passa a ser admitida, mas em outro contexto, e convenientemente se enquadrando em outro tipo de ofensa... Isso, por si só, levanta questionamentos. Não sobre o que pode ser provado, mas sobre o que estamos dispostos a aceitar.
De verdade: alguém acredita que uma reação daquele nível acontece por isso? Cada um tire suas conclusões. Não estou aqui para apontar culpados sem provas. Mas também não dá para ignorar o que o futebol mostra, ano após ano. Quem vive o jogo sabe.
No fim das contas, o recado que fica é perigoso. Parece que, dependendo do caminho escolhido, sempre existe uma forma de amenizar as consequências, que deveriam ser duras e exemplares. E isso não pode ser normalizado.
Seguirei defendendo o mesmo de sempre: respeito, responsabilidade e tolerância ZERO com o preconceito. Sem meios termos com aquilo que fere a dignidade humana. Aqueles que sofrem não esquecem".
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