O Grêmio encerrou 2025 com endividamento de R$ 935,6 milhões, segundo auditoria da Baker Tilly Brasil apresentada ao Conselho Deliberativo. O relatório detalha um cenário financeiro pressionado principalmente pelo crescimento do passivo de curto prazo, isto é, que exige pagamento já em 2026 e se aproxima da previsão de receitas do clube para o período.
Os dados indicam que R$ 516,4 milhões correspondem a compromissos de curto prazo, enquanto outros R$ 419,1 milhões são obrigações de longo prazo. O levantamento foi divulgado em reunião realizada na Arena e detalha a composição completa do passivo gremista.
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Endividamento do Grêmio em 2025: dívida de curto prazo pressiona orçamento
A maior preocupação está no passivo circulante, que reúne valores com vencimento em até 12 meses. Entre os principais itens estão dívidas relacionadas a compra de jogadores, a antecipações de receitas e a obrigações fiscais. Os maiores compromissos incluem:
- Obrigações fiscais e sociais parceladas: R$ 154,5 milhões
- Empréstimos com empresários: R$ 169,2 milhões
- Contas por compra ou empréstimo de atletas: R$ 124,2 milhões
- Antecipações de receitas: R$ 97,5 milhões
- Instituições financeiras: R$ 80 milhões
Segundo o presidente da Comissão para Assuntos Econômico-Financeiros, Joel Junior Machado Corrêa, o cenário exige medidas imediatas. Em declaração ao ge, ele afirmou:
"De uma forma geral, a situação é um pouco preocupante, pois o volume do nosso passivo de curto prazo é quase igual à previsão de receitas no orçamento de 2026. O que demandará ao clube busca por novas receitas, reperfilamento da dívida e cumprimento das metas orçamentárias."dirigente do Grêmio
Dívida do Grêmio cresce 46% em três anos
A auditoria também mostra evolução significativa do endividamento do Grêmio. O passivo total saiu de R$ 640 milhões em 2023 para R$ 935 milhões em 2025. Veja a evolução do passivo do clube:
- 2023: R$ 640 milhões
- 2024: R$ 795 milhões
- 2025: R$ 935 milhões
O aumento acumulado foi de R$ 295 milhões, equivalente a 46%. O principal salto ocorreu nas dívidas de curto prazo, que cresceram mais de R$ 200 milhões entre 2024 e 2025.
Contas do Grêmio têm superávit, mas resultado é contábil
Apesar do alto endividamento, o clube registrou superávit de R$ 35 milhões em 2025. No entanto, o resultado positivo ocorreu devido a um ajuste contábil relacionado à gestão da Arena, estimado em cerca de R$ 400 milhões, sem a entrada direta de recursos em caixa.
Sem esse impacto, o balanço indicaria déficit relevante, reforçando a necessidade de ajustes financeiros.

Gestão anterior e novo cenário financeiro do Grêmio
Durante o fim da administração de Alberto Guerra, o clube argumentou que parte do aumento da dívida estava ligada a investimentos no elenco e a compromissos não vencidos. A auditoria, porém, considera antecipações de receitas e outras obrigações dentro do passivo total.
A nova gestão, liderada por Odorico Roman, informou ter quitado cerca de R$ 100 milhões em dívidas nos primeiros meses de mandato, com entrada de novos recursos no caixa.
O cenário para 2026 é tratado internamente como desafiador, com necessidade de geração de receitas, vendas de atletas e reorganização do fluxo financeiro para equilibrar as contas.
