Da empolgação pelo início de ano promissor à frustração pelo desempenho muito ruim nos jogos decisivos, o Fluminense amargou o vice do Campeonato Carioca ao ser derrotado pelo arquirrival Flamengo nas penalidades, após empate insosso por 0x0 no tempo normal. A seguir, o 90min analisa os erros cometidos pelo Tricolor das Laranjeiras neste embate e as lições que o desfecho negativo de Estadual ensinam para o clube.
1. Diretoria falhou no mercado e limitou opções no elenco

Um dos erros graves que ajuda a explicar a derrota tricolor na final do Carioca foi a falta de senso de urgência e a inabilidade da diretoria do clube em fechar contratações em tempo hábil para as fases agudas do Estadual, limitando as opções e alternativas disponíveis no elenco de Zubeldía para encarar Vasco (semifinal) e Flamengo (final). As notórias carências de um zagueiro e de um "9" só foram solucionadas no último dia da janela de transferências internacional, o que impediu a inscrição dos reforços ainda no Carioca. Parcela de culpa considerável da gestão de Mattheus Montenegro, Mário Bittencourt e Paulo Angioni.
2. Postura reativa, engessada e respeito exagerado aos rivais

Durante a fase classificatória e as primeiras rodadas do Brasileirão, o Fluminense parecia "leve" em campo, jogando solto e conseguindo, a partir disso, fazer jogos fluidos, competitivos e vistosos que levaram parte da opinião especializada a tratar o clube como o "melhor futebol do país" no início do ano. Esse cenário, no entanto, não se repetiu nas fases agudas do Carioca: o que vimos foi um time engessado, pregado em seu campo de defesa, respeitando demais os adversários e se preocupando mais em não sofrer gols do que fazê-los. A mudança de postura acabou sendo castigada em um jogo no qual o time de Zubeldía deu apenas um chute a gol.
3. O campo gritou, mas Zubeldía ignorou

No que diz respeito à comissão técnica, a grande falha de Luis Zubeldía, que faz um bom trabalho nas Laranjeiras, foi "ignorar" os chamados e os sinais que o campo vem dando. Apesar do mau rendimento desde o início do ano, Freytes, Samuel Xavier, Kevin Serna e Canobbio parecem ter vaga cativa no time titular, raramente sendo substituídos. Renê, que fez bons jogos na primeira fase, foi muito mal nas partidas decisivas, se mostrando pouco confiável na chamada "hora H". Savarino e Arana pedem passagem, mas continuam sendo acionados somente na reta final dos jogos. Para o futuro próximo, o treinador precisará ter o arrojo de fazer as mudanças que o time precisa para voltar a render bem e atuar com coragem.
