Quem poderia imaginar que a SAF do Botafogo, inicialmente formatada para trazer tranquilidade ao clube, geraria tanta dor de cabeça? Sim, se o trabalho realizado por John Textor, de início, deu resultado dentro das quatro linhas – com os títulos da Libertadores e do Brasileirão de 2024 –, agora causa problemas que levam o clube a acionar judicialmente o Lyon, braço francês da Eagle Football, rede comandada pelo norte-americano. Os valores cobrados não são nada pequenos.
Quanto o Botafogo cobra do Lyon?
O Botafogo move dois processos contra o Lyon, e a cobrança total gira em torno de R$ 745 milhões. Elas são referentes a transferências realizadas entre os clubes e que foram efetuadas sob o sistema de caixa único, que já não mais vigora.

A primeira ação, de cerca de R$ 125 milhões, é um título de execução extrajudicial relacionado a empréstimos e transferências realizados em março de 2025. Já a segunda disputa diz respeito a 11 transferências (entre março de 2024 e fevereiro de 2025) não devolvidas e que totalizam R$ 573 milhões. Também se cita a contração de um empréstimo junto ao Banco XP, em que o Lyon teria se comprometido a pagar os juros (aproximadamente R$ 45 milhões). Os casos tramitam no judiciário do Rio de Janeiro.
Nota oficial do Botafogo
O Botafogo entrou com ações judiciais nesta sexta-feira (3) contra o Olympique Lyonnais devido a dívidas que ultrapassam R$ 745 milhões. O objetivo é garantir a recuperação dos valores devidos — fundamentais para fortalecer o projeto esportivo do clube — e salvaguardar os ativos do Clube.
Como é de conhecimento público desde a constituição da SAF em 2022, o Botafogo passou a fazer parte do Eagle Group, uma rede multiclubes liderada por John Textor. Como estratégia competitiva, foi adotado por todos os clubes do Eagle Football um modelo colaborativo de gestão de caixa e recrutamento de jogadores, o que levou a conquistas históricas para o Botafogo, como a CONMEBOL Libertadores e o Campeonato Brasileiro de 2024. Para o Olympique Lyonnais, essa colaboração também teve impacto histórico no primeiro ano de gestão direta do Sr. Textor, tirando o clube de um rebaixamento praticamente certo para a classificação à Liga Europa, após apenas uma janela de transferências.
O Eagle Football adquiriu um Olympique Lyonnais insolvente no final de 2022, com todos os principais bancos exigindo o pagamento da dívida sênior do clube e com a DNCG ameaçando impor sanções severas já no primeiro dia da aquisição pelo Eagle.
Nesse contexto, o Botafogo fez sucessivas contribuições financeiras que totalizaram mais de R$ 745 milhões, estruturadas como empréstimos, com a clara expectativa de reembolso sob condições de compartilhamento de caixa previamente acordadas.
Posteriormente, em meio a conflitos internos entre os acionistas do Eagle Group, o novo presidente do Olympique Lyonnais rescindiu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês não cumpriu suas obrigações e se recusou a pagar a dívida aos clubes parceiros do Eagle: R$ 745 milhões devidos ao Botafogo e mais de € 12 milhões devidos ao RWD Brussels. Esse inadimplemento teve impactos diretos nas operações do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando sua capacidade de renovar contratos e contratar jogadores. Como consequência, o Clube chegou a sofrer um transfer ban imposto pela FIFA no final de 2025.
A partir deste momento, o Botafogo está tomando medidas irreversíveis: a SAF adotará todas as medidas legais cabíveis para recuperar integralmente os valores devidos pelo Olympique Lyonnais e para garantir a continuidade e solidez de seu projeto esportivo.
*Com informações do ge
