Por que as vendas de camisas nunca cobrirão os custos ou salários de uma nova contratação?

Daniel Farias
Manchester United v FC Internazionale - 2019 International Champions Cup
Manchester United v FC Internazionale - 2019 International Champions Cup / Thananuwat Srirasant/Getty Images
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A seguinte situação é muito comum no futebol: um determinado clube anuncia uma grande contratação e, logo após o anúncio, centenas de torcedores já estão em buscar de comprar a camisa do seu time com o nome e o número do novo contratado. Um dos maiores exemplos disso foi quando a torcida do PSG esgotou, em seis horas, 10 mil camisas de Neymar logo após o atacante ser anunciado como reforço da equipe.

Muito se comenta sobre o entusiasmo dos torcedores para a compra dessas camisas, mas pouco se avalia sobre as questões financeiras que permeiam todo esse sistema de compra e venda de uniformes de futebol. Em situações como essas, em que grandes estrelas são contratadas, os torcedores ficam, até certo ponto, receosos quanto à compensação financeira daquele negócio. Será que a situação financeira do clube era boa o suficiente para fazer uma contratação desse porte? Será que todo o clima gerado pela contratação trará retorno financeiro?

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TOPSHOT-FBL-ITA-SERIEA-JUVENTUS-SCUDETTO-FANS / MARCO BERTORELLO/Getty Images

É nesse contexto que surge a seguinte pergunta: qual o impacto da venda de camisas na economia de um clube de futebol? Para isso, é necessário fazer uma análise de dados e estatíticas. Nem sempre são divulgados com exatidão valores arrecadados com a venda de camisas das equipes, o que tende a dificultar a avaliação. Entretanto, após uma avaliação que teve como base a equipe do Manchester United, da Ingaleterra, uma empresa alemã chegou a esse número: 1,75 milhão de camisas vendidas por ano. O estudo levou em consideração dados da temporada 2011 até a temporada 2016.

Realizando cálculos simples é possível chegar à conclusão de que o faturamento seria de cerca de 105 milhões de euros, levando em consideração a média de 1,75 milhão de camisas por ano e considerando 60 euros como o preço médio desse produto. Essa linha de raciocínio faz com que torcedores acreditem veementemente que o valor arrecadado com a venda de camisas seria suficiente para compensar quase que integralmente o valor desembolsado na contratação do reforço.

A verdade é que, na prática, as coisas não acontecem dessa maneira. O que retorna para a equipe é apenas uma porcentagem de todo o valor obtido com a venda do produto. Isso ocorre pelo seguinte motivo: quando um clube de futebol assina um contrato com uma fornecedora de material esportivo, é selado um acordo de licenciamento. Na prática, esse acordo determina que a empresa de material esportivo pagará um valor anual ao clube, referente à fabricação e à venda dos produtos. Fora isso, apenas cerca de 10% ou 15% do valor arrecadado com as vendas pode retornar à equipe, por meio de royalties adicionais. Em alguns casos, nem mesmo o pagamento dos royalties é realizado, pelo fato da venda das camisas não ter atingido a meta estipulada.

Nesse contexto, algumas equipes brasileiras investiram em marcas próprias para o fornecimento dos uniformes, o que possibilita uma maior participação do clube em toda a logística, além de um maior retorno financeiro.

O fato é que a venda de camisas de futebol pode sim ser uma fonte de arrecadação para as equipes, mas nunca será suficiente para cobrir os custos da compra de um atleta renomado.

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