Nem mesmo o tom otimista de Romildo esconde a preocupante realidade do Grêmio que o próprio dirigente traz à tona

Fabio Utz
Pool/Getty Images
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Sem oficialismos. Foi assim que o presidente Romildo Bolzan Júnior se colocou à disposição do departamento de comunicação do Grêmio para, durante uma hora, responder a perguntas feitas pelo torcedor a respeito do momento do clube. No entanto, ao mesmo tempo em que é preciso louvar esta iniciativa, o dirigente, talvez até sem esta intenção, deixou claro: embora o otimismo em reverter os maus resultados de forma rápida, a situação é de extrema dificuldade. E todos foram pegos de surpresa.

Romildo sabe lidar muito bem com as palavras. Durante boa parte do papo, tratou de utilizar a expressão "instabilidade" para definir a situação do Tricolor. No entanto, uma frase chamou atenção: "Reconhecendo a frustração, reconheço que a crise é grande". Há pouco tempo atrás, em uma coletiva de imprensa, o mesmo presidente se mostrava confiante de que a obtenção de vitórias, naturalmente, encaminharia a equipe para o topo. De lá para cá, até Gre-Nal o time ganhou, e o cenário não se modificou.

Afinal: há ou não há crise? O técnico Renato Portaluppi e o vice-presidente de futebol Paulo Luz sempre trataram de ignorar este termo. Mas, agora, ele saiu da boca do mandatário da instituição. A chateação é, sim, bastante evidente. Romildo deixou claro que, em 2020, o Grêmio ainda não apresentou um futebol convincente. Citou a transição do grupo de jogadores, as lesões, a arbitragem. Mas ele, em nenhum momento, reconheceu erros de avaliação tanto na montagem do plantel como na lida diária com a realidade do clube.

Ao não garantir a chegada de reforços, jogou mais um balde de água fria em quem ainda acredita na subida de produção dentro das quatro linhas. Se antes se falava sobre a possibilidade de anunciar nomes que iriam surpreender a opinião pública, agora fica claro que, pelo jeito, o clube não está nem perto de trazer novos nomes, mesmo que reconheça tal necessidade. Se não há sinais, na opinião do presidente, da chamada "fadiga dos metais", está cada vez mais evidente que a direção gremista perdeu o prumo e não está sabendo lidar com os fatos para, no mínimo, sacudir o ambiente.

Se vitórias eram necessárias e nem elas levantaram o astral...se é preciso contratar, mas não há a garantia de que isso irá ocorrer...se existe necessidade de evolução, mas ela claramente não acontece...algo falta fazer, mas o Grêmio, pelo jeito, não sabe exatamente o que. Ou, se sabe, não tem noção de como atingir tal posição.

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