São Paulo revive crise política nos bastidores envolvendo filha de novo presidente
- Denúncia cita Christina Massis participando de suposto esquema de venda de ingressos para camarotes em shows no MorumBIS
- Pessoa ligada ao Presidente do Conselho Deliberativo também aparece na investigação
Por Bia Palumbo

O São Paulo vive um ano eleitoral, mas antes mesmo do pleito houve uma troca na Presidência devido a um escândalo que culminou com a renúncia de Julio Casares. Harry Massis assumiu em janeiro e nesta semana o vazamento de áudios ligados ao mandatário foram divulgados pelo site ge.globo. Filha dele e ex-diretora adjunta das equipes de base do futebol feminino do clube, Christina Massis é investigada por participar de suposto esquema ilegal de venda de ingressos de shows realizados no Estádio do MorumBIS.
"Há algum tempo, o São Paulo Futebol Clube tem sido marcado pela falta de transparência. No entanto, a atual Gestão é diferente e, por isso, tem sofrido tantos ataques, desde o início, com acusações infundadas. Integridade, isenção e transparência são as marcas da atual Gestão, a ponto do presidente encaminhar o caso para a competente apuração, independentemente de grau de parentesco. Tenho plena consciência da lisura da minha conduta e, no momento oportuno, serão prestados os esclarecimentos necessários ao SPFC. Para agora, adianto que o tal áudio é uma lamentável e sensacionalista edição fora de contexto."
- Nota de Christina Massis ao ge
A gravação registrada em um pendrive foi entregue a Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo.
"Há mais ou menos uma semana, recebi com surpresa e indignação o relato da minha filha Christina sobre a revenda de ingressos de show. Não compactuo com a lamentável atitude dela e defendo que a comissão de ética do clube aprofunde as apurações sobre o caso. Não tenho compromisso com erro ou malfeito de nenhuma ordem. Pouco importa se a pessoa em questão tem meu sangue ou não. A Christina é maior de idade, tem seu próprio CPF e deve responder pelos seus atos. Durante minha gestão, minha maior missão é ter tolerância zero com qualquer atitude eticamente reprovável. Isso vale para todos, até para minha filha. Reafirmo que só soube do caso há poucos dias e que fui também chantageado para que o caso não viesse à tona. Mas aparentemente não me conhecem. Aqui tem um homem íntegro, que tem como único intuito passar o São Paulo Futebol Clube a limpo, custe o que custar e doa a quem doer."
- Nota de Harry Massis ao ge
Massis tomou posse no final de janeiro e a princípio fica até novembro, quando acontecem as eleições para escolher o responsável pela gestão no triênio de 2027 a 2029.
"Não estamos falando em que o presidente Massis será afastado. Nós estamos falando, no caso, da comercialização de ingressos que envolve a filha dele e ingressos que foram recebidos pelo presidente. Até a gente chegar a um ponto de afastamento muitas coisas ainda merecem ser apuradas, mas, no caso eventual, espero que isso não aconteça, de um afastamento do presidente, eu assumiria exclusivamente por 30 dias a condição de presidente do clube para conduzir uma eleição que teria que ser convocada, mas eu não assumo a presidência em definitivo. Só por 30 dias para conduzir a eleição. Não tenho nenhum interesse em ser candidato a presidente do São Paulo. Essa condição está absolutamente afastada."
- Olten Ayres à Rádio Bandeirantes
A investigação também menciona o filho de um amigo de Olten Ayres, que também se pronunciou.
Tive acesso exclusivo a áudios que implicam o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, em um suposto esquema irregular de venda de ingressos de camarote no Morumbis.
— Gabriel Sá (@OGabrielSa) February 20, 2026
Segundo as gravações, Lucca Monteiro Borzani, filho de Felício Borzani Neto, amigo de… pic.twitter.com/TYKngjwGir
"Felício Bozzani Neto é meu amigo de 40 anos. Os ingressos que eu cedia a ele eram ingressos que eram disponibilizados ao presidente do conselho deliberativo, ou seja, eu, na condição de presidente do conselho e na condição de membro do consultivo, em números bastante modestos, mas em números expressivos, e fiquei sabendo que o filho dele ao receber esses ingressos do pai, hipoteticamente comercializou alguns deles. Não tenho ciência do que aconteceu, vou apurar os fatos e tomar as providências cabíveis."
- Olten Ayres à Rádio Bandeirantes
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