A estreia de Leonardo Jardim no comando do Flamengo foi marcada por um contexto peculiar. O treinador assumiu poucos dias após a surpreendente saída de Filipe Luís, com o ambiente interno ainda sensível, e conquistou o título carioca diante do Fluminense logo em sua primeira partida. O triunfo nos pênaltis, com protagonismo de Rossi, trouxe tranquilidade imediata, mas não permitiu observar mudanças estruturais. Sete jogos depois, entre Brasileirão e Libertadores, o cenário é mais claro: há sinais de um time em transição, com novos protagonistas, ajustes na hierarquia e desafios ainda evidentes.
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Um início com resultados sólidos, mas ainda sem identidade consolidada
Desde o primeiro Fla-Flu, o Flamengo disputou sete jogos oficiais. O recorte é positivo: quatro vitórias, um empate e uma derrota no Campeonato Brasileiro, além de triunfo importante na estreia da Libertadores. O desempenho elevou o time para a parte de cima da tabela e trouxe estabilidade após um início irregular sob o comando de Filipe Luís.
Leonardo Jardim passou a conduzir o elenco de maneira diferente, rodando mais o time, especialmente diante da sequência intensa e do desgaste físico – algo visível, por exemplo, na vitória fora de casa pela estreia na Libertadores, contra o Cusco, quando promoveu diversas alterações para lidar com a altitude e a recuperação curta.
Essa gestão reforça uma marca do treinador: a tentativa de ampliar o protagonismo coletivo e reduzir a dependência de uma base fixa.
Quem ganhou espaço e aproveitou a nova fase

Alguns jogadores emergiram nesse recorte, seja por desempenho ou contexto.
Guillermo Varela é o caso mais evidente. O lateral ganhou sequência, apresentou regularidade defensiva e passou a contribuir mais ofensivamente, abrindo vantagem na disputa pela posição. A evolução coincide com a valorização dos laterais no modelo de Jardim, que exige apoio constante pelos corredores.
Já no meio-campo, Evertton Araújo aproveitou a lesão de Erick Pulgar e assumiu minutos importantes. Mesmo com uma expulsão contra o Corinthians, teve boas atuações posteriores e se consolidou como alternativa real. Lucas Paquetá também passou a ter maior protagonismo. Titular em boa parte dos jogos, marcou dois gols; ainda busca maior impacto, mas demonstra adaptação gradual ao novo contexto.
Outro movimento relevante foi a nova chance dada a Gonzalo Plata. O atacante, que enfrentava questionamentos por questões extracampo, voltou a ser titular, na vitória contra o Cusco, em atitude que simboliza a política de meritocracia do treinador.
Quem perdeu espaço ou ainda não convenceu

Se alguns cresceram, outros perderam terreno. Everton Cebolinha já não tinha grande protagonismo e viu sua situação se agravar, inclusive com problemas físicos. Ficou fora da rotação principal e hoje aparece atrás na disputa por posição.
Samuel Lino também vive momento de afirmação. Apesar de dois gols e uma assistência no período, ainda não assumiu protagonismo e oscila entre titularidade e banco. A expectativa é que assuma mais responsabilidade ofensiva.
Emerson Royal, por sua vez, parece ter perdido a disputa direta com Varela e aparece como opção secundária.
Destaques e oscilações individuais
Rossi foi heroico na conquista do Carioca, mas, desde então, teve atuações mais discretas. O goleiro segue titular, sem comprometer, mas sem repetir o protagonismo do clássico.
Arrascaeta continua como referência técnica e mantém regularidade, inclusive foi decisivo na estreia da Libertadores, ampliando o placar na vitória por 2 a 0. Porém, ainda não encontrou sua melhor versão na temporada.
Na defesa, o time mostra organização, porém ainda sofre gols em momentos evitáveis – cinco em seis jogos – o que acende a luz vermelha de ajustes pendentes.
Problemas estruturais e desafios imediatos
Apesar do início positivo, o Flamengo de Leonardo Jardim ainda enfrenta entraves claros:
- Lesões importantes no meio-campo
- Pouco tempo de treinos em decorrência das viagens
- Dependência de inspiração individual em alguns jogos
Além disso, o treinador herdou um ambiente emocionalmente sensível após a saída de Filipe Luís, o que torna a gestão do grupo parte essencial do processo.
O que mudou, na prática, desde o Fla-Flu da estreia de Jardim
O Flamengo pós-primeiro Fla-Flu não passou por uma revolução tática, mas apresenta mudanças perceptíveis:
- Maior rotação do elenco
- Disputas internas reabertas
- Valorização da meritocracia
- Protagonistas diferentes surgindo
O Flamengo de Leonardo Jardim ainda é um time em construção, com mais sinais de reorganização do que de transformação. O título na estreia parece ter sido mais simbólico; as semanas seguintes mostram que Leonardo Jardim começa a moldar o elenco, enquanto busca consolidar uma identidade.
