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Entenda por que negociação bilionária do Vasco chama atenção da CBF

  • Empresário Marcos Lamacchia negocia compra de 90% da SAF do Vasco por cerca de R$ 2 bilhões
  • Parentesco com Leila Pereira pode gerar análise por possível conflito de interesses no fair play financeiro
Negociação bilionária da SAF do Vasco pode testar regras de fair play financeiro da CBF
Negociação bilionária da SAF do Vasco pode testar regras de fair play financeiro da CBF | Ruano Carneiro/GettyImages

A possível venda da SAF do Vasco para o empresário Marcos Lamacchia, em um acordo que pode ultrapassar R$ 2 bilhões, deve se tornar o primeiro grande teste prático do novo regulamento de fair play financeiro do futebol brasileiro. O investidor, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, negocia a aquisição de 90% da sociedade, o que levanta questionamentos sobre potencial conflito de interesses entre clubes que disputam as mesmas competições.

Segundo informações publicadas por veículos como Estadão, ge e ESPN, as conversas avançaram nos últimos dias e o negócio está estruturado, embora ainda dependa de ajustes contratuais e análise dos órgãos reguladores.

Fair play financeiro da CBF pode barrar multipropriedade entre Vasco e Palmeiras

O novo Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF estabelece regras para impedir controle ou influência significativa sobre mais de um clube. O artigo 86 do regulamento proíbe que uma mesma pessoa física ou jurídica exerça influência relevante em equipes que disputam as mesmas competições.

O texto também amplia o alcance para relações familiares. Como o Código Civil considera enteado como parente por afinidade em primeiro grau, a ligação entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira será analisada.

Agência da CBF analisará estrutura societária da SAF do Vasco

A operação será avaliada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), responsável pela fiscalização do fair play financeiro. O órgão só poderá agir oficialmente após a alteração societária ser formalizada.

Entre os pontos analisados estão:

  • influência econômica do investidor
  • capacidade de decisão na gestão do clube
  • relação indireta com outros clubes da mesma competição

Caso seja identificado conflito, o regulamento prevê prazo para ajustes antes da participação conjunta em competições nacionais.

Pedrinho, presidente do Vasco em 2026
Vasco segue em negociações para a venda da SAF | Foto: Matheus Lima/Vasco

“Blind trust” surge como alternativa para evitar conflito de interesses

Uma das soluções discutidas internamente é a criação de um “blind trust”, mecanismo que transfere a gestão do investimento para administradores independentes. Nesse modelo, o investidor não teria participação direta na administração do clube durante determinado período.

Estruturas semelhantes já foram adotadas no futebol europeu. O City Football Group utilizou esse modelo para permitir a participação simultânea de clubes sob sua influência em competições continentais, separando a gestão para cumprir regras de integridade.

Venda da SAF do Vasco envolve estrutura societária complexa

Atualmente, a SAF do Vasco possui divisão acionária fragmentada:

  • 30% pertencem ao clube associativo
  • 31% ligados à 777 Partners
  • 39% em disputa arbitral

Para viabilizar a venda de 90% ao investidor, será necessário resolver pendências jurídicas e estruturar compromissos financeiros envolvendo dívidas, fluxo de caixa, folha salarial e investimentos em infraestrutura. Com o avanço das negociações, o caso pode se tornar um marco regulatório para o futebol brasileiro e definir como o fair play financeiro lidará com multipropriedade e vínculos familiares.

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