The Players' Tribune

Zagueiro que já foi traficante critica Governo Bolsonaro e cobra ações efetivas contra violência nas favelas

Redação 90min
Jogador com passagens por Fortaleza, Náutico e Santa Cruz escreve carta apoiando a causa antifascista e reivindica políticas públicas para favelas
Jogador com passagens por Fortaleza, Náutico e Santa Cruz escreve carta apoiando a causa antifascista e reivindica políticas públicas para favelas / Andre Fabiano/Código19/Gazeta Press
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"O futebol salvou minha vida." Quando Breno Calixto diz isso, não significa nenhum exagero, segundo suas próprias palavras em carta publicada pelo The Players' Tribune nesta sexta-feira. O zagueiro contou sua história de vida e relembrou o passado como traficante de drogas na periferia de Fortaleza.

"Durante parte da minha vida, eu fui traficante. Isso mesmo… Traficante. Não tenho vergonha de dizer, irmão. Esse capítulo faz parte da minha história", revela. "O tráfico me ajudou a colocar comida na mesa da minha família. Foi o nosso meio de sobrevivência. Mas, se você me perguntar, te digo que eu me arrependo. As lembranças ruins do que eu vivenciei nesse meio vão me acompanhar para sempre."

Cria da Favela Vertical, no Parque São José, ele conta que, até mesmo no período em que já havia se tornado jogador profissional, continuava vendendo drogas para complementar o salário de atleta. "Saía pra jogar, juntava o dinheiro do salário de atleta, que era uns 1.500 reais, no máximo, e mandava pros caras que vendiam a droga pra mim. Essa fase durou pouco, felizmente."

Hoje disputando a primeira divisão do Campeonato Mineiro pela URT, o zagueiro usa sua experiência de vida para cobrar ações mais efetivas do poder público no enfrentamento à criminalidade nas favelas e critica o Governo de Jair Bolsonaro por proferir discursos violentos como a saída para os problemas.

"Qual é a solução proposta pelo nosso atual Governo? Armar a população e fazer discurso para matar bandido, o que, no fim das contas, só leva mais violência pra favela", argumenta Calixto.

No encerramento da carta, o zagueiro reforça seu posicionamento político prometendo lutar contra o "sistema programado para manter o povo pobre em seu devido lugar" e usar sua voz para combater movimentos de extrema direita.

"Por ser de onde eu venho, por tudo que eu vivi, tenho obrigação de me opor a esse sistema. Tenho obrigação de ser antifascista. Minha única única certeza é que sempre estarei na defesa do meu povo e na luta antifascista." 


Leia a carta completa de Breno Calixto.

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