Futebol Internacional

Vinicius Junior se pronuncia pela primeira vez após sofrer ato racista: "Eu não vou parar de dançar"

Matheus Nunes
O atacante foi alvo de ataques racistas nessa quinta-feira (15)
O atacante foi alvo de ataques racistas nessa quinta-feira (15) / Angel Martinez/GettyImages
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Após ser alvo de ato racista nessa quinta-feira (15) durante um programa esportivo na Espanha, Vinicius Junior se pronunciou pela primeira vez sobre o ocorrido. Através de um vídeo acompanhado de um texto inspirador, o atacante do Real Madrid relembrou outros casos de preconceito que sofreu e declarou que não vai parar de fazer suas danças, marca registrada do craque nas comemorações de gols. Confira o texto na íntegra:

"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra". Tenho essa frase tatuada no corpo. Tenho esse pensamento permanentemente na cabeça. Essa é a atitude e a filosofia que Procuro colocar em prática na minha vida.

Dizem que a felicidade incomoda. A felicidade de um brasileiro negro vitorioso na Europa incomoda muito mais.

Mas minha vontade de vencer, meu sorriso e o brilho nos olhos são muito maiores que isso. Você nem imagina.

Fui vítima de xenofobia e racismo em uma única declaração. Mas nada disso começou ontem.

Semanas atrás começaram a criminalizar minhas danças. Danças que não são minhas. Pertencem a Ronaldinho, Neymar, Paquetá, Griezmann, João Félix, Matheus Cunha... pertencem a artistas brasileiros de funk e samba, cantores de reggaeton e negros americanos.

São danças para celebrar a diversidade cultural do mundo. Aceite, respeite. Eu não vou parar.

Venho de um país onde a pobreza é muito grande, onde as pessoas não têm acesso à educação... e em muitos casos, sem comida na mesa!

Não costumo vir publicamente para refutar as críticas. Eles me atacam e eu não falo. Eles me elogiam e eu também não falo. Eu trabalho! Trabalho muito.

Dentro e fora do campo. Desenvolvi um aplicativo para ajudar a educação de crianças em escolas públicas sem ajuda financeira de ninguém. Estou fazendo uma escola com meu nome. Farei muito mais pela educação. Quero que as próximas gerações estejam preparadas, como eu, para lutar contra racistas e xenófobos.

Procuro sempre ser um profissional e um cidadão exemplar. Mas isso não funciona, não é tendência na internet, nem motiva os covardes a falar agressivamente sobre pessoas que eles nem conhecem.

O roteiro sempre termina com um pedido de desculpas e "Fui mal interpretado". Mas repito para você, racista:

Eu não vou parar de dançar. Seja no Sambódromo, no Bernabéu ou em qualquer lugar.

Com o amor e os sorrisos de quem é muito feliz,
Vini Jr. #BAILAVINIJR"

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