The Players' Tribune

Em dia de sorteio da Copa, Felipão conta segredos do penta e revela acordo com Ronaldo: “Pegava no pé dele”

Redação 90min
O técnico Luiz Felipe Scolari escreveu uma carta ao The Players’ Tribune relembrando a campanha do pentacampeonato mundial e a relação com o Fenômeno
O técnico Luiz Felipe Scolari escreveu uma carta ao The Players’ Tribune relembrando a campanha do pentacampeonato mundial e a relação com o Fenômeno / -/GettyImages
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Treinador do último título mundial da seleção brasileira, o técnico Luiz Felipe Scolari aproveitou o clima do sorteio da Copa do Mundo, que acontece nesta sexta-feira, para escrever uma carta relembrando a conquista do penta no The Players’ Tribune.

Em seu depoimento, Felipão afirma que o Brasil começou a ganhar a Copa meses antes do embarque para a Coreia do Sul e o Japão. “Tu pode até duvidar, mas a parte mais difícil de uma Copa do Mundo não são necessariamente aqueles seis jogos até a final”, conta o técnico.

Uma de suas principais lembranças são os dois amistosos que a seleção realizou no Brasil, contra Islândia e Iugoslávia. “No caso da Seleção, eu diria que a campanha do pentacampeonato começou pra valer em março de 2002, três meses antes da abertura do Mundial. Foi quando fizemos nossos últimos amistosos no Brasil.”

Felipão recorda que Ronaldo voltou a atuar pela seleção justamente no jogo contra Iugoslávia, após mais de dois anos afastado por causa de uma grave lesão no joelho. O treinador diz que precisou fazer um trato com o Fenômeno antes da Copa para que ele pudesse se integrar à equipe.

O Ronaldo Nazário, sendo bem franco, não gostava muito de fazer treino tático nem de marcar os zagueiros que saíam com a bola. Mas, antes mesmo da Copa começar, eu propus a ele um acordo. ‘Tu vai fazer só 15 minutos de treinamento tático. Depois, tá liberado pra fazer chute a gol, bater pênalti e tudo aquilo que tu gosta de fazer.’ E assim foi. Nesses 15 minutos de treino, eu pegava no pé dele. ‘Perdeu a bola? Ataca o primeiro que estiver na frente.’ Eu queria que ele fosse o goleador, mas que também ajudasse na marcação”, conta.

Ainda na preparação para o Mundial, a seleção definiu o esquema com três zagueiros, que, para Felipão, ainda influencia vários times atuais. “Muita gente pensa que jogar com três zagueiros é uma formação defensiva, mas, pelo contrário, é altamente ofensiva, porque libera dois jogadores pelos lados. Por isso muitas equipes do Brasil e do mundo inteiro jogam dessa forma atualmente.”

Em outro trecho da carta, o técnico sublinha um momento inusitado na campanha do penta: o pagode feito pelos jogadores na chegada ao estádio de Yokohama antes da final contra a Alemanha. “É engraçado que, antes de entrar em campo, parecia até que a gente não estava ali para jogar uma final de Copa do Mundo. Bah, o ônibus do Brasil tu nem acredita! Desce o Ronaldinho com atabaque na mão, o Cafu com um pandeiro, Denílson e Dida levando os tambores… Pá, pá, pá, tum, tum, tum!! Cantando Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho, aquele ziriguidum… Os alemães olhando aquilo sem entender nada, incrédulos”, descreve Scolari.

Segundo ele, o Brasil só se sagrou pentacampeão mundial porque os atletas do grupo colocaram o aspecto coletivo acima de vaidades e individualidades. “Jogamos um futebol alegre e irreverente, de acordo com a tradição brasileira, mas com a disciplina tática alemã. Um equilíbrio que só foi alcançado porque os jogadores compreenderam que, se um ajudasse o outro, se jogássemos como uma verdadeira família, ninguém poderia nos vencer. É uma lembrança que vou guardar para sempre.”


Leia a carta completa de Felipão.

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