Richarlison: o craque além do futebol – e o peso de sua voz no Dia da Consciência Negra

Antonio Mota
Richarlison é o jogador brasileiro mais envolvido em questões sócio-políticas da atualidade.
Richarlison é o jogador brasileiro mais envolvido em questões sócio-políticas da atualidade. / Pool/Getty Images
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Nesta sexta-feira, 20 de novembro de 2020, menos de 24 horas após João Alberto Silveira Freitas, homem negro, de 40 anos, ser brutalmente assassinado em uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre, o Brasil celebra o Dia da Consciência Negra. E a pergunta – muito bem levantada pelo atacante brasileiro Richarlison – que fica é: “Consciência?”.

A sociedade brasileira é estruturalmente racista. O racismo existe e é transparente, basta olhar as disparidades entre brancos e negros que existem no mercado de trabalho (oportunidades, salários, cargos etc.), os índices de violência – inclusive policial –, os níveis de escolaridade, a intolerância com religiões de matriz africana etc. É preciso tratar o assunto com seriedade.

E ter pessoas como o Richarlison, engajadas, com “voz ativa” e mundialmente conhecidas, é essencial para causar reflexão sobre o racismo e também para levar o tema para os mais variados públicos.

Infelizmente, o ex-Flu é minoria, sobretudo no meio dos “famosos”, e é um dos poucos jogadores brasileiros a tratar de polêmicas – ele falou sobre a morte de George Floyd, das queimadas no Pantanal, da falta de luz elétrica no Amapá, do caso Mariana Ferrer etc. – com seriedade e sem medo de desagradar A ou B ou de ficar sem patrocinadores. Richarlison é gigante.

Em si, Richarlison é um grande exemplo para todos e o seu envolvimento em questões sócio-políticas é essencial para causar reflexão e debate em uma sociedade que rotineiramente ignora esses assuntos.

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