Diversidade e inclusão

Ricardinho Alves: o craque que perdeu a visão, mas ganhou o mundo ao revolucionar o Futebol de 5

Nathália Almeida
Ricardinho é o melhor jogador do mundo no Futebol de 5
Ricardinho é o melhor jogador do mundo no Futebol de 5 / Atsushi Tomura/GettyImages
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"Quando descobri que tinha a chance de jogar futebol novamente, meu coração ficou cheio de esperança e alegria. Pude voltar ao meu sonho de infância e torná-lo realidade."

Ricardinho Alves, atleta de futebol de 5

No quarto episódio do Marcos de Resistência, contaremos a história daquele que pode ser considerado não apenas como o maior atleta do Futebol de 5 de todos os tempos, como também uma das referências globais quando o assunto é esporte adaptado.

Nascido no dia 15 de dezembro de 1988 no município de Osório, no Estado do Rio Grande do Sul, Ricardo Steinmetz Alves mostrava, desde cedo, aptidão e talento para o esporte mais apaixonante e praticado em solo nacional. O tetracampeonato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994, marco para muitos garotos e garotas nascidos nos anos finais da década de 80, alimentou o sonho do jovem gaúcho em viver da bola. Mas aos 8 anos de idade, sua vida sofreria uma reviravolta.

Diagnosticado com uma Toxoplasmose Congênita, Ricardinho teve a perda de visão como principal sequela da doença. Com aval da família, inúmeras cirurgias corretivas foram realizadas na tentativa de reverter o quadro, mas todas sem sucesso. Era a porta fechada para o sonho de ser jogador de futebol? Não, não tão depressa...

Ricardinho, Luis Felipe
Ricardinho é tetracampeão olímpico e tricampeão mundial / Alexandre Loureiro/GettyImages

Aos 10 anos de idade, Ricardinho Alves foi apresentado ao Futebol de 5, através da Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (ACERGS), situada em Porto Alegre. Era o ponto de partida do que se revelaria uma das relações mais prolíficas e espetaculares que o esporte brasileiro já viu.

"O futebol de 5 me auxiliou muito fora das quatro linhas. Fiquei mais independente e as pessoas pararam de me olhar como coitadinho. Agora há um respeito. Acho que muito do preconceito com deficientes vem da falta de informação. As pessoas que estão de fora não sabem que podemos levar uma vida normal "

Ricardinho Alves, ao ge.com

Habilidoso e muito técnico, precisou de apenas cinco anos dedicados à modalidade para receber, ainda na adolescência, sua primeira convocação para representar a Seleção Brasileira. Fenômeno também na precocidade, faturou seu primeiro título de primeira prateleira com a Amarelinha aos 18 anos, a Copa América de 2006, competição que "abriria caminhos" para uma série de conquistas de alto nível para o garoto de Osório: ouro paralímpico em 2008, Mundial em 2010... E não parou por aí.

Portando a camisa 10 que tradicionalmente veste os grandes craques do esporte, trouxe a magia e a arte para uma equipe que, em todas as suas bases, faz história a cada vez que entra em campo: o Brasil nunca foi derrotado em sua trajetória paralímpica, tendo conquistado o ouro de forma invicta em todas as cinco edições já disputadas na modalidade. Ricardinho esteve presente em quatro destas conquistas, ou seja, falar da Canarinho é falar de seu camisa 10. E vice-versa.

Hoje, o garoto de Osório ostenta um currículo que estoura o limite de caracteres de qualquer artigo. Além do tetracampeonato paralímpico e das inúmeras taças por clubes, é tetracampeão parapan-americano, tricampeão mundial, três vezes melhor do mundo da modalidade e atleta paralímpico do ano de 2018. Seu legado, no entanto, transcende os troféus: a carreira de Ricardinho Alves nos ensina que, com apoio, acessibilidade e infraestrutura, a perseguição pela grandeza é para todos que sonham e perserveram.

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