Grêmio

Renato se despede do Grêmio através de carta e fala em "até breve"

Fabio Utz
Apr 19, 2021, 1:17 PM GMT-3
Treinador enalteceu grupo de atletas e elogiou a torcida
Treinador enalteceu grupo de atletas e elogiou a torcida / ITAMAR AGUIAR/Getty Images
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Se na sexta-feira o Grêmio se despediu de Renato Portaluppi, nesta segunda coube ao treinador deixar seu "até breve" ao clube do coração. Através de uma carta divulgada por sua assessoria de imprensa, ele se manifestou pela primeira vez após a saída do Tricolor. E com palavras emocionantes.

Ao longo do texto, lembrou a forma como chegou ao clube, em 2016, e salientou a relação sólida construída com o presidente Romildo Bolzan Júnior e o grupo de jogadores. "Passaram pelo clube atletas extremamente profissionais, dedicados, inteligentes, amigos e que deram o sangue por essa camisa. E tenho certeza que continuará sendo assim. O Grêmio tem um grande grupo de homens", disse Renato, que salientou a emoção do momento em que os profissionais "invadiram" seu quarto de hotel no último sábado como uma última homenagem.

Ao final do texto, deixou um recado especial para a torcida e disse que, através de sua estátua, na esplanada da Arena, estará sempre torcendo pelo time. "Quero terminar falando do coração desse clube. A torcida do Grêmio, em especial a Geral do Grêmio, é simplesmente apaixonante. Em momentos de pandemia, a maioria dos estádios está vazia. Mas não a Arena. Ali do lado de fora, mais precisamente na Esplanada, tem alguém que sempre vai encher esse estádio. Posso estar longe fisicamente, mas aquela Estátua, que tanto me orgulha, sou EU e vai estar sempre pulsando pelo Grêmio." Renato ficou em Porto Alegre por quatro anos e sete meses e conquistou sete título: Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017), Recopa Sul-Americana (2018), Gauchão (2018, 2019 e 2020) e Recopa Gaúcha (2019).

CARTA DE DESPEDIDA - RENATO PORTALUPPI

Quando o meu telefone tocou, em setembro de 2016 e do outro lado da linha estava o Dr. Adalberto Preis, não precisei nem esperar ele terminar de falar. “Estou dentro, Dr. Pode contar comigo que estou voltando”. O Grêmio não me chama, o Grêmio me convoca. Sempre foi assim e sempre vai ser.

Foram quase cinco anos de muita dedicação, de muito trabalho e, principalmente, de muitas alegrias. Batemos metas muito importantes, recolocamos o clube no caminho das grandes conquistas e me orgulho de cada dia de trabalho, de cada treino, de cada gota de suor, de cada lágrima, de cada jogo e de cada aprendizado, nas vitórias e também nas derrotas.

Se hoje sou o treinador com mais jogos no comando do clube, e isso é uma alegria que não cabe dentro do peito, devo a muita gente. Ao presidente Romildo, que durante todo esse período esteve ao nosso lado e fez de tudo para que sempre tivéssemos as melhores condições de trabalho. Nos momentos bons e nos momentos de dificuldade, ele sempre estendeu a mão e isso não tem preço.

Desde o primeiro dia de trabalho em 2016, criamos um relacionamento com o grupo de jogadores que sempre foi de respeito e admiração mútuas. Passaram pelo clube atletas extremamente profissionais, dedicados, inteligentes, amigos e que deram o sangue por essa camisa. E tenho certeza que continuará sendo assim. O Grêmio tem um grande grupo de homens. E por falar em grupo, uma das maiores alegrias que eu tive aconteceu no último sábado. Já estava fora da quarentena e à noite, por volta das 21h, tive uma surpresa linda. O grupo inteiro “invadiu” o meu quarto do hotel para me abraçar. Ainda bem que o coração está em dia. Tive de expulsar eles depois da uma da manhã. E ainda queriam fazer churrasco para mim na segunda-feira. Mas aí não vou aguentar. Esse é o meu grupo! Não é fácil ficar quase cinco anos sem ter nenhum problema com jogador.

E o que é que eu vou dizer de todos os funcionários do clube? Que saudade que eu vou sentir de cada um deles. As “gringas” do restaurante fazem uma comida maravilhosa e eu estava sempre ali fazendo uma boquinha. Os massagistas, os seguranças, na grande figura do Fernandão, chefe da segurança do Grêmio e da seleção brasileira, pessoal da rouparia, da fisioterapia, todos eles. Queria poder abraçar cada um e agradecer pessoalmente por tudo que fizeram ao longo desse período.

Preciso fazer um agradecimento especial ao departamento médico, que é um dos melhores do Brasil. Dr. Márcio, Dr. Rabaldo e Dr. Gabriel sempre tiveram muito cuidado comigo, em todos os momentos. E também o Dr. Leandro Zimerman, cardiologista, que teve participação fundamental também.

Claro, nem tudo são flores quando você tem um convívio de tanto tempo. Tive de puxar a orelha de alguns, trazer outros para a realidade da vida, mas “É O QUE EU DIGO PRA VOCÊS”, dentro do vestiário nunca teve crise. Todos os nossos problemas nós resolvemos internamente, com o grupo blindado e sólido o tempo todo.

Quero terminar falando do coração desse clube. A torcida do Grêmio, em especial a Geral do Grêmio, é simplesmente apaixonante. Em momentos de pandemia, a maioria dos estádios está vazia. Mas não a Arena. Ali do lado de fora, mais precisamente na Esplanada, tem alguém que sempre vai encher esse estádio. Posso estar longe fisicamente, mas aquela Estátua, que tanto me orgulha, sou EU e vai estar sempre pulsando pelo Grêmio.

Obrigado a todos e até breve!

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