Opinião

Renato Gaúcho e o discurso ‘batido’ que não convence (mais) o torcedor do Flamengo

Antonio Mota
Do VAR às convocações: Renato Gaúcho dificilmente assume erros e quase sempre tem alguma desculpa para dar.
Do VAR às convocações: Renato Gaúcho dificilmente assume erros e quase sempre tem alguma desculpa para dar. / Buda Mendes/GettyImages
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O Flamengo saiu no lucro ao empatar, no último lance, com gol de pênalti, em 2 a 2 com o Athletico-PR, na Arena da Baixada, na última quarta-feira (20), pelo jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil. A partida foi frenética, intensa e pegada, mesmo que sem muitas chances de gol, mas com o Fla sendo mais coadjuvante do que protagonista. O Furacão foi melhor, ditou o ritmo do jogo durante a maior parte do tempo e, no fim, vendeu caro o resultado.

Após o apito final, Renato Gaúcho falou e, mais uma vez, se mostrou “expert” em fugir da responsabilidade e em esconder os problemas do Flamengo. O treinador criticou o gramado sintético e exaltou a atuação do clube vermelho e preto.

“Grama sintética faz muita diferença. É da água para o vinho. A bola fica muito viva na grama sintética. Hoje a gente já sabia das dificuldades. Eles estão acostumados com o campo. A bola fica muito viva. Essa foi a nossa maior dificuldade hoje [...] A minha equipe fez um bom jogo hoje. Apesar das dificuldades com o campo. Não é fácil jogar aqui, o gramado prejudica bastante a equipe visitante”, declarou Renato, em coletiva após o término da partida.

Flamengo Athletico COpa Brasil Rodrigo Caio, Leo Cittadini
O Flamengo não sofreu apenas pelo gramado na Arena da Baixada. / Buda Mendes/GettyImages

Ao criticar o gramado e exaltar a atuação do Flamengo, Renato mais uma vez fugiu da realidade. O Mais Querido não foi bem na Arena da Baixada e, inclusive, foi batido tática e fisicamente pelo Athletico. Mais, o Rubro-Negro do Rio mostrou, de novo, muitas dificuldades para articular o jogo no setor ofensivo. A ausência de Giorgian de Arrascaeta criou um buraco gigantesco na faixa central do Fla, o que, no entanto, não pode ser desculpa para tudo.

Além do camisa 14, o Flamengo também sente a falta de Bruno Henrique. Mas Renato não pode ficar refém destas baixas. Pelo contrário. O treinador precisa encontrar formas de o time jogar, de ser mais criativo, de ter mais variedade de jogo. E tudo isso sem dar tantas desculpas, sem colocar todos os problemas da equipe nas convocações, na arbitragem, no gramado... É enxergar a verdade: os jogadores já “salvaram” Renato várias vezes no Fla.

Contra o Cuiabá, Renato reclamou do VAR, e com razão, mas pouco falou dos mais de 40 cruzamentos e das tentativas frustradas. Time de uma única arma? Contra o Athletico, o problema foi o gramado. E esses são só exemplos recentes de uma série de declarações "para inglês ver". Renato faz um bom trabalho no Flamengo, mas seu discurso, em muitas oportunidades, é fora da realidade.

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