Qual o futuro do futebol? Quais os impactos da crise no esporte?

Gabriel Gonçalves
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FBL-ESP-LIGA-BARCELONA-HUESCA / LLUIS GENE/Getty Images
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A pandemia de Covid-19 'freou' a gastança que vivia o futebol nos últimos anos, sobretudo no 'ápice' em 2017, quando o Paris Saint-Germain contratou Neymar Jr. do Barcelona por cerca de 222 milhões de euros, a maior transação da história do esporte, superando o francês Paul Pogba em sua ida para o United por pouco mais de 100 milhões de euros.

Daí para frente, os preços dispararam, com o próprio Barça comprando Dembélé por 105 milhões de euros e Griezmann por 120; e o PSG, outro envolvido no negócio de Neymar, pagou cerca de 180 milhões pelo francês Kylian Mbappé. Ao mesmo tempo em que os jogadores ficavam mais caros, os clubes aumentaram sua arrecadação com direitos de TV, patrocinadores e bilheteria.

Porém, em 2020, o futebol mostrou que a gastança tinha limite.

O pré-pandemia

A crise que se desenha atualmente não começou com o Covid-19. Nas últimas temporadas, a saúde financeira dos gigantes europeus começou a ser colocada em cheque pelos gastos exacerbados em salários. De acordo com um relatório da consultora KPMG, a Juventus comprometia 71% da sua arrecadação com salários na temporada 2018/19.

Outros clubes, como o PSG, na mesma temporada, gastou 562 milhões de euros com o seu elenco; o Bayern, 303 milhões e o City, 293 milhões, parcelas muito significativas das próprias arrecadações, além dos valores investidos em contratações.

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COMBO-FBL-EUR-C1-PSG-BARCELONA / GABRIEL BOUYS/Getty Images

O Barcelona é o principal exemplo da crise, visto que o time já chegou a comprometer cerca de 80% do orçamento com salário, além dos endividamentos próximos de 1 bilhão de euros, motivados por compras desenfreadas no período pós-Neymar. Já no ano de 2021, um desses exageros veio à tona: os mais de 500 milhões de euros do contrato de Lionel Messi.

A crise do Covid-19

Já em fevereiro de 2020, os clubes europeus fecharam os estádios e o esporte chegou a parar, adiando os jogos de um dos maiores campeonatos de clube, a UEFA Champions League. Com isso, uma das principais fontes de renda das equipes secou: a bilheteria.

FC Barcelona v Elche CF - Joan Gamper Trophy
FC Barcelona v Elche CF - Joan Gamper Trophy / Quality Sport Images/Getty Images

Os clubes já começaram a reportar suas perdas, como o Arsenal, que já registra uma baixa próxima de 50 milhões de euros causada pela pandemia. A Juventus vai pelo mesmo caminho, com cerca de 100 milhões de redução em 2020. Na La Liga, 16 dos 20 clubes diminuíram o orçamento para a temporada.

O que esperar do futuro?

O futuro do futebol parece sofrer pesadamente nos próximos anos. Primeiro, não é possível postular quando os clubes voltarão a arrecadar com o matchday, já que os governos não têm previsões para o retorno de 100% do público nos estádios ao redor do mundo. Além disso, a tendência é de que as pessoas, atingidas pela crise, não voltem a consumir o futebol da mesma maneira.

As empresas, também afetadas pela crise mundial, tendem a reduzir os investimentos no esporte. De acordo com a FIFA, a expectativa é de um 'rombo' de 14 bilhões de dólares para o mundo do futebol. Dessa maneira, será bem difícil, até para os gigantes europeus, conseguirem contratos tão relevantes com patrocinadores.

Logo, a projeção é de que os clubes segurem os gastos nos próximos anos. Os próprios valores de mercado dos jogadores já caiu, alguns pela metade, e o recorde de Neymar deve demorar bastante para ser superado. Será?

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