Opinião

Paulinho no Corinthians: apego ao passado ou necessidade real?

Lucas Humberto
Ao investir em Paulinho, Corinthians busca soluções fáceis para problemas complexos
Ao investir em Paulinho, Corinthians busca soluções fáceis para problemas complexos / Helio Suenaga/Getty Images
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Depois de meses de postura passiva no mercado, o Corinthians investiu em reforços de alto nível e, aparentemente, tomou gosto pelo hábito de contratar. A bola da vez na verdade esteve na mira há poucos meses: Paulinho, que rescindiu contrato com o Al-Ahli, da Arábia Saudita. No radar do Timão, o volante só poderá atuar nos gramados brasileiros em 2022, uma vez que a janela de transferências nacional se encontra fechada.

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Paulinho em ação pelo Corinthians / Lintao Zhang/Getty Images

Em termos futebolísticos, o jogador dispensa apresentações, embora possam existir muitas dúvidas com relação ao seu uso dentro das quatro linhas, afinal, a posição de segundo volante, onde ele normalmente joga, não está sendo o ponto fraco do Timão. Existem, no mínimo, três outras questões mais preocupantes no Parque São Jorge: Gabriel conseguirá marcar sozinho no meio? Sylvinho terá pulso para aguenta as expectativas de um elenco tão qualificado? Há dinheiro disponível?

Deslumbrada, a diretoria corinthiana parece inquieta para agradar uma parte considerável da torcida, quase como se não fosse possível deixar a oportunidade de contratar Paulinho passar. Acontece que os problemas não vão embora. Pelo contrário, a bola de neve só aumenta: a marcação desleixada, as substituições de qualidade duvidosa, ausência de bons nomes da base, como Xavier, os milhões de dívidas etc. São muitas questões mais urgentes para tentar tapar com a peneira.

Entre possíveis reduções salariais e os capítulos iniciais de uma novela que promete ser longa, a Fiel vive um constante déjà vu burocrático, que insiste em repetir peças, movimentos, escalações e histórias num jogo que já não é mais o mesmo.

Enquanto o Timão segue preso ao passado, boas possibilidades vão passando despercebidas. Pelo visto, "Moderno é ser Corinthians" não vai passar de uma bela estratégia de marketing, porque dentro do campo as soluções definitivamente não são novas.

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