O que faz o Presidente?

Fluminense v Gremio - Brasileirao Series A 2014
Fluminense v Gremio - Brasileirao Series A 2014 / Buda Mendes/Getty Images
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#VozDoTorcedor
Por Fábio Sá, torcedor do Fluminense.


Trocar de técnico não costuma ser uma solução de longo prazo para nenhum time de futebol. Pelo contrário, é um dos maiores sintomas de má gestão de um clube - quanto mais trocas de técnicos, normalmente mais mal gerido esse clube é. 

Por outro lado, existe um limite para a paciência do torcedor que, bicho emocional que é, tem todo o direito de não aceitar que seu time desista de aquilo que ele, torcedor, acredita que seu time deveria sim brigar. 

2020 Brasileirao Series A:  Fluminense v  Atletico GO Play Behind Closed Doors Amidst the
2020 Brasileirao Series A: Fluminense v Atletico GO Play Behind Closed Doors Amidst the / Buda Mendes/Getty Images

Bicampeão brasileiro na última década, a partir de 2013, portanto já há sete anos, o Fluminense não só se acostumou a não disputar mais nada relevante, como também a brigar ano sim ano também na ponta de baixo da tabela. No Brasileiro, entramos fingindo que vamos lutar pelas vagas para a Libertadores (que já foram 4 e hoje são 8!!!), mas invariavelmente chegamos em novembro fazendo contas desesperadas para completarmos os 45 pontos - ou seja, já fomos um aluno exemplar, mas agora rezamos para só passar de ano. E, pior, comemoramos quando passamos de ano, mesmo que seja raspando, como naquele 1x0 sofrido e sofrível contra o fraquíssimo América-MG, com direito a pênalti perdido por eles - fizemos festa no Maracanã (eu não, mas 40 mil saíram de lá exultantes, ao invés de simplesmente aliviados e putos, como eu saí). 

Tivemos milhões e milhões do patrocinador (que, convenhamos, gastou muito dinheiro errado antes de acertar, mas nos permitiu surfar uma onda espetacular entre 2007 e 2012, tirando o tenebroso ano de 2009). Tivemos craques, fizemos craques (alguns viraram ídolos), vivemos momentos inesquecíveis em Fluripa, em Curitiba, no Engenhão, em Presidente Prudente (nesses sim eu saí exultante, em todos eles).  

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FBL-BRAZIL-FLUMINENSE-CELEBRATIONS / ANTONIO SCORZA/Getty Images

Foram anos em que reconquistamos o nosso lugar ao sol, mas, hoje, parece que já nos esquecemos de onde deveríamos estar. 

Parece que, assim como fizeram outros clubes (inclusive dois rivais nossos do Rio), fomos aceitando um lugar menos ensolarado na tabela, ano após ano, a ponto de atualmente nos felicitarmos com uma vaga na Sul-Americana, um 15º lugar, mais uma escapada na última rodada. 

Nesse 2020, não chegamos nem na metade do campeonato e já estamos vendo e vivendo isso de novo. Fomos eliminados por uma equipe amadora na primeira fase da Sul-Americana (aquela mesma competição cuja classificação comemoramos tanto no ano passado). Fomos eliminados na Copa do Brasil por uma equipe de jogadores de aluguel, cujo único objetivo no ano é sobreviver na série A. Ah, mas ganhamos a Taça Rio e chegamos à final do Carioca - me poupem, porra. O Campeonato Carioca é o que tem de mais ridículo no calendário do futebol brasileiro e, mesmo assim, o nosso retorno pós-quarentena, com direito a uma surra do Volta Redonda, foi nojento. Sim, o time que nos derrotou na final tinha 9x mais orçamento, voltou a treinar escondido 40 dias antes e ainda contava com a complacência (e cumplicidade) da FERJ, mas isso não me interessa. O que me interessa é o que está acontecendo conosco. 

Depois de uma sequência de presidentes tão ruins quanto os governadores do Estado, as nossas esperanças de uma administração melhor do Fluminense vão se esvaindo a cada novo capítulo. 

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FBL-BRAZIL-FLAMENGO-FLUMINENSE / CARL DE SOUZA/Getty Images

Assim como nas administrações anteriores, continuamos sem mando no futebol. Autuori, Angione, Celso Barros... quem manda no futebol do Fluminense? Ninguém. 

Aliás, manda o Presidente. 

E o que faz o Presidente? 

(1) O presidente é o pior a contratar entre os times da Série A. 

Continua “investindo” em “reforços” de nível ridículo e inaceitável para qualquer outro clube da metade de cima da tabela do Brasileiro. Duvida? Pergunta se algum dos dez primeiros colocados gostaria de contar com Ganso, Caio Paulista, Orinho e Felipe Cardoso. Pergunta se eles pegariam de graça algum dos “reforços” do pacotão do rebaixado Cruzeiro. Não pegariam, até porque tiveram a chance e, naturalmente, declinaram. Sobrou pra nós aceitarmos e aturarmos Henrique (esse ainda bem que por pouco tempo), Hudson e, principalmente, o inacreditável Egídio. Deixo o Fred de fora dessa porque tratava-se da repatriação de um ídolo - que, honestamente, tem muito pouco a agregar ao time, mas confesso que fiquei feliz em vê-lo encerrar sua carreira conosco. 

(2) O presidente perde os moleques de Xerém a ritmo acelerado, e sem que isso gere nem uma fração do valor que o clube merecia

Não bastasse perdermos o Scarpa de graça no passado recente, agora virou moda todo ano praticamente darmos algum talento nosso de graça para outro clube - às vezes para um rival direto. Jogadores de nível europeu como Gerson, Richarlison, Pedro, João Pedro, agora Evanilson e Marcos Paulo. Sem falar nos médios que vieram, se destacaram e partiram sem deixarem nem uma mariola pra conta, como Caio Henrique, Luciano, Ayrton Lucas, Danielzinho, Everaldo, entre vários outros. 

Viramos o clube que fornece a prata da casa a preço de banana e que entrega os médios de bandeja pros rivais brasileiros. 

E os cofres do clube? Continuam à míngua. 

(3) O presidente é incapaz de conseguir um patrocínio de tamanho adequado ao clube. 

Sem nenhum demérito ou desrespeito às marcas que nos patrocinaram e nos patrocinam. Não temos um máster de tamanho decente desde a saída da Unimed. Ah, mas a crise, mas o dólar, mas a pandemia. Sim, verdade. Mas, enquanto as marcas de apostas esportivas cresceram um milhão por cento no país, colocando suas marcas em quase todos os clubes, nós tivemos uma marca desconhecida pagando duas mariolas pela omoplata e que não durou nem meia temporada. 

Somos incapazes de ativar uma das 10 maiores torcidas do Brasil, reconhecida pelo seu poder aquisitivo e seu potencial de engajamento. Somos incapazes de fazer o mercado entender o valor da marca Fluminense (eu diria porque, honestamente, nem os nossos dirigentes têm essa real noção mercadológica, afundados que estão na política rasteira do clube há 30 anos). 

(4) O presidente insiste em não ter um planejamento técnico de longo prazo, que reflete diretamente nas ações do campo. 

Como joga o Fluminense? 

Defendendo? Atacando? 

Com ou sem posse?

Pressão alta ou baixa?

4-1-2-3? 4-3-3? 4-4-2 clássico? 

Ninguém sabe. Nem mesmo o nosso técnico. 

Ah, a culpa é do Odair. Do Muriel. Do Ganso. Do Egídio. Sim, sim, também e claro. 

Mas, acima de tudo, a culpa é de quem os colocou lá e, pior, de quem insiste em mantê-los lá, independentemente do óbvio: nenhum desses jogadores serve pro Fluminense (além dos demais já mencionados), sem contar que eles bloqueiam a subida da nossa base talentosa (Marcos Felipe, Miguel, Andre). E o Odair? Essa é fácil: o Odair é horroroso. Não preciso me estender. Temos o Marcão em casa, de graça, 726x melhor do que o Odair. Todo mundo sabe que o Marcão vai terminar o ano como nosso técnico - então o que falta? Não tem mais outra competição pro Odair eliminar a gente, ele conseguiu nas duas que tentou. Não estou dizendo que temos elenco para brigar pelo Brasileirão. Não temos. Mas daí a aceitar nem tentar a Copa do Brasil e a Sul-americana, isso é inaceitável. Fim, chega, vaza. 

E agora? 

Vai ser mais um ano em que vamos batalhar para fazermos 45 pontos. Mais um ano em que dispensaremos metade desse elenco numa barca furada no final do ano (e vários deles vão ganhar milhões nos tribunais nos próximos dez anos). Mais um ano em que a base vai embora praticamente de graça. Mais um ano em que as novas gerações de torcedores vão se acostumando, pouco a pouco, inconscientemente, a aceitarem essa posição de submissão na tabela. 

Além de camisas novas (aliás, a verde é linda mesmo, parabéns à turma da Umbro), da aposentadoria do Fred (que serve mais pro Fred do que pro Fluminense), e de brigas com a nojenta FERJ (brigas que até me representam, mas que não servem de absolutamente nada se ano que vem a gente vai lá e se submete a eles de novo jogando esse Carioca podre)... além disso aí que eu falei, que é MUITO POUCO, o que faz o presidente do Fluminense? Alguém sabe?

Saudações Tricolores.

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