Diversidade e inclusão

O pioneirismo de Aline Pellegrino, vitoriosa capitã que abre caminhos na gestão da CBF

Nathália Almeida
Aline Pellegrino, ex-jogadora da Seleção Brasileira, hoje ocupa cargo de gestão na CBF
Aline Pellegrino, ex-jogadora da Seleção Brasileira, hoje ocupa cargo de gestão na CBF / LEONARDO SGUACABIA/Photopress/Gazeta Press
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No segundo episódio da série Marcos de Resistência, contaremos a história de uma mulher que inspira por seus feitos dentro e fora das quatro linhas, em prol da evolução do futebol feminino e de um esporte menos desigual.

Aline Pellegrino, popularmente conhecida como Pelle, nasceu em São Paulo no dia 6 de julho de 1982. Desde muito nova mostrou aptidão para os esportes, passando a praticar ginástica, atletismo, vôlei e handebol. Sua grande paixão, no entanto, era estar com a bola no pé.

Aline Pellegrino
Aline Pellegrino, a Pelle, consagrou a camisa 3 da Seleção Brasileira Feminina / Koji Watanabe/GettyImages

Apoiada pela família, passou por diversos testes e peneiras, sendo aprovada para jogar no São Paulo - de craques renomadas como Kátia Cilene e Sissi -, quando tinha apenas 15 anos de idade. Era o início de uma carreira brilhante e de uma vida dedicada ao futebol.

Zagueira inteligente e habilidosa, conquistou inúmeros títulos de peso por clubes, incluindo duas edições de Copa do Brasil (2008 e 2009) e uma Copa Libertadores (2010), todos com a camisa do Santos, naquela que até hoje é lembrada como a geração de ouro das Sereias da Vila. Marta, a Rainha, sem dúvida era o nome mais pesado do elenco, mas Pelle era o pilar defensivo que trazia solidez à última linha alvinegra. Combinação explosiva que marcou época na Baixada.

Além disso, foi uma das grandes lideranças da maior geração da nossa Seleção Brasileira Feminina, assumindo a braçadeira de capitã em 2005 e deixando o posto somente em 2011, tendo um ouro em Pan-Americano (2007), uma prata em Copas do Mundo (2007) e uma prata em Jogos Olímpicos (2004) no currículo. Também foi campeã da Copa América Feminina em 2010, cabendo a ela a honraria de erguer a taça.

Brazil v Chile - Women's South American Championship Ecuador 2010
Aline Pellegrino foi capitã da Seleção Brasileira Feminina entre os anos de 2005 e 2011 / Patricio Realpe/GettyImages

Mas sua história com o futebol não se encerraria no momento de sua aposentadoria dos gramados em 2013, muito pelo contrário. Obstinada a mudar a realidade do futebol feminino nacional, Pelle intensificou os estudos e passou a trabalhar nos bastidores da bola, atuando em cargos de gestão.

Em 2016, assumiu o posto de Diretora de Futebol Feminino na Federação Paulista de Futebol (FPF), construindo com medidas efetivas uma gestão de evoluções significativas para a modalidade, dentre elas o incentivo constante ao trabalho de base. Entre peneiras e novas competições no calendário, como o Paulista Sub-17, o futebol feminino cresceu ainda mais no Estado de São Paulo, que já era o grande polo da modalidade em solo brasileiro.

Em 2020, deixou o cargo para abraçar uma aventura ainda maior: ser a primeira mulher em posição de liderança na CBF, assumindo a coordenação de competições femininas. Sob sua batuta, novos torneios foram chancelados, como a Supercopa do Brasil e o Brasileiro Feminino A-3. Em 2022, foi promovida ao posto de coordenadora de seleções femininas, passando a responder por tudo que diz respeito à gestão e administração da Canarinho Feminina.

Representante FIFA Legends, Embaixadora Conmebol, supervisora, coordenadora, atleta.
Mulher negra e pioneira, abriu caminhos e segue lutando por um futebol pautado na equidade.

Aline Pellegrino é marco de resistência.

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