Não vimos a 'melhor versão' de Cristiano Ronaldo na Juventus, mas ele é o menos culpado por isso

Nathália Almeida
Mar 10, 2021, 1:48 PM GMT-3
Juventus sofreu nova eliminação precoce na Champions
Juventus sofreu nova eliminação precoce na Champions | Jonathan Moscrop/Getty Images
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Novo ano, velha história: a Juventus, maior vice-campeã da história da Champions League, sofreu mais uma eliminação dolorosa e vexatória na competição. Na noite da última terça-feira (9), a equipe italiana até venceu o Porto por 3 a 2, mas não conseguiu sair de campo com a classificação às quartas: 4 a 4 no agregado, com os lusitanos levando a melhor por terem anotado dois gols em Turim.

Ao contratar Cristiano Ronaldo em 2018, a Velha Senhora tinha grandes esperanças de que colocaria um ponto final em sua sina europeia. Contudo, os resultados gerais da equipe italiana com o craque luso conseguem ser piores se comparados aos anos anteriores: são três eliminações precoces consecutivas - para Ajax, Lyon e Porto, rivais importantes, mas não do primeiro escalão da Europa -, enquanto no período pré-chegada de CR7, foram duas finais de Champions para a Juventus, com derrotas para Barcelona (2014/15) e Real Madrid (2016/17).

Cristiano Ronaldo, Juventus, Champions League
Cristiano não fez grande jogo diante do Porto | Jonathan Moscrop/Getty Images

Todo esse cenário descrito anteriormente pode culminar em uma precipitada (e injusta) conclusão de que Cristiano não gerou o impacto esportivo esperado pelo clube, mas a verdade é outra: o clube não soube construir um projeto em torno da contratação do jogador mais decisivo da história da Champions. Com um elenco envelhecido e desequilibrado - sobra qualidade nos nomes de frente, e falta qualidade nas laterais e principalmente no meio-campo -, várias mudanças na área técnica e falta de convicção na ideia de revolucionar seu estilo de jogo, a Velha Senhora falhou em conseguir fornecer as melhores condições para CR7 ser a sua melhor versão.

Quando você contrata um jogador deste porte - e que significa uma 'sangria' de mais de 30 milhões por temporada em salários -, erros de planejamento não podem ser cometidos. Mas a Juventus errou muito e em inúmeras frentes: perdeu o diretor Beppe Marotta para a rival Inter; apostou em Sarri sem convicção e o trocou por um ídolo cru, Andrea Pirlo, movimento perigoso e que vem se provando falho; não qualificou seu meio-campo criativo, trocando seu único armador (Pjanic) pelo jovem Arthur, que tem qualidade e potencial, mas não é o '10 cerebral' e quebrador de linhas que a Velha Senhora carece.

Andrea Pirlo, Bjorn Kuipers, Juventus, Champions League
Primeira experiência de Pirlo como técnico profissional é bem turbulenta | Jonathan Moscrop/Getty Images

Todas essas falhas ajudam a explicar o porquê de não termos visto o melhor Cristiano Ronaldo em seus três anos de Turim. E nos fazem concluir que culpabilizar o camisa 7, que entregou mais de 35 participações diretas para gols em suas duas primeiras temporadas em Turim e caminha para repetir o feito em 2020/21, não faz o menor sentido.

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