Nada salva o ano do Fluminense, mas futuro pode ser ainda pior sem mudanças imediatas

Odair Hellmann
2020 Brasileirao Series A: Fluminense v Vasco Play Behind Closed Doors Amidst the Coronavirus | Buda Mendes/Getty Images

Coadjuvante em cenário nacional desde a temporada 2012 - quando conquistou seu último título de expressão, o tetra brasileiro -, o Fluminense protagonizou, na noite da última quinta-feira (25), mais um dos inúmeros episódios vexatórios em sua história recente: a eliminação para o Atlético-GO na quarta fase da Copa do Brasil, competição que pintava como principal aspiração do clube carioca para 2020.

Uma derrota pura e simples para o clube goiano não seria demérito 'em condições normais' - em que pese a diferença histórica das duas camisas -, já que perder faz parte do que é o futebol e há muito mérito no que este Atlético vem fazendo: é organizado, disciplinado, muito bem treinado e corajoso. O que fez da eliminação um vexame para o Fluminense é que, da forma como foi, uma verdade inconveniente e dolorosa ao torcedor tricolor foi definitivamente escancarada: diversos clubes médios do futebol brasileiro, incluindo o Dragão, são mais competitivos e profissionais que o clube das Laranjeiras hoje.

Fred
2020 Brasileirao Series A: Fluminense v Atletico GO Play Behind Closed Doors Amidst the | Buda Mendes/Getty Images

São seis anos consecutivos sendo eliminado por clubes da Série A na Copa do Brasil, além de sete temporadas seguidas com campanhas medíocres no Brasileirão, sendo 2014 a única 'exceção': o time carioca chegou às rodadas finais com chances de beliscar uma vaga na Libertadores, mas acabou na sexta posição. São anos e anos de gestões pouco profissionais e pouco transparentes, de jovens talentos sendo leiloados no mercado, da total ausência de planejamento/projeto esportivo e convicções atrasadas sobre como fazer futebol, de constante 'dança das cadeiras' na área técnica e balcão de negócios nos bastidores.

O Fluminense que vemos em 2020 é a consequência natural desta sucessão de erros que fincou raízes nas Laranjeiras. O buraco é tão fundo que se torna inviável vislumbrar um 'resgate' à curto prazo, mas é preciso começar de algum lugar: profissionalizar o futebol é o primeiro passo, já que não é nada razoável que o próprio presidente do clube ocupe a pasta; modernizar as ideias, pois não há espaço para dirigentes que pensam futebol em 2020 como se ainda estivéssemos em 1990; valorizar Xerém de forma integral, envolvendo os garotos no planejamento esportivo do clube, não só na hora de fazer caixa; e buscar um treinador que entenda o tamanho e o DNA do Fluminense, algo que Odair Hellmann já provou não ser capaz.

Odair Hellmann
2020 Brasileirao Series A: Fluminense v Flamengo Play Behind Closed Doors Amidst the Coronavirus | Buda Mendes/Getty Images

A temporada 2020 já está totalmente comprometida, mas o futuro começa do agora e o Fluminense não tem mais tempo a perder. Caso contrário, o tradicional e pioneiro clube das Laranjeiras, seguirá definhando e caminhando a passos largos para o ostracismo.