Marta destaca Equal Pay na Seleção e se emociona ao lembrar de trajetória no futebol: “O caminho é longo"

Antonio Mota
Marta comemora "Equal Pay" anunciado pela Seleção Brasileira: "Valeu a pena".
Marta comemora "Equal Pay" anunciado pela Seleção Brasileira: "Valeu a pena". / Zhizhao Wu/Getty Images
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A Copa do Mundo Feminina de 2019 ficou marcada, entre outros gestos e acontecimentos, por uma chuteira preta, sem patrocinadores, nos pés de Marta. O protesto, que correu o mundo pedindo respeito e igualdade, chegou a Confederação Brasileira de Futebol e, mais de um ano depois, começa a mostrar resultados significativos.   

Destes ‘efeitos’, como informa o GE, há um para se destacar (e muito): o Equal Pay – equiparação entre diárias e premiações das Seleções Masculinas e Femininas – anunciado pela CBF há pouco mais de 20 dias. Também vale notar a integração de mais mulheres na gestão da modalidade:  Duda Luizelli (coordenadora de seleções) e Aline Pellegrino (coordenadora de competições).

Com o anúncio, que repercutiu mundialmente, a Seleção Brasileira reforçou o pequeno, mas impactante grupo de nações que adotaram ao Equal Pay: Austrália, Finlândia, Fiji, Inglaterra, Noruega, Nova Zelândia e Serra Leoa.

Referência mundial do movimento, Marta, nos Estados Unidos, comentou sobre o assunto e reconheceu o seu papel. “Eu continuo sem patrocínio. Antes mesmo da gente iniciar essa campanha (na Copa) a gente recebeu propostas, até de renovação, mas acho que a valorização tem que partir da gente. Eu me sinto no direito de me valorizar, por tudo que a gente foi conquistando ao longo do tempo seja dentro de campo ou fora dele também. Eu queria dar esse exemplo pra outras atletas e até outras atividades fora do esporte, para que a gente possa buscar por igualdade. Juntas. Financeiramente eu não ganhei nada com isso, mas eu sinto que a mudança ela é nítida”, afirmou a camisa 10.

"Acho que não tem preço, e valeu a pena, tá valendo a pena e como eu falei, a valorização ela tem que partir da gente primeiro pra que as pessoas entendam que você tem que, o ser humano, qualquer que seja através do trabalho que ele tenha, através do que ele faz, e não do gênero."

destacou Marta.
Marta impactou o mundo com seu batom vermelho e sua chuteira preta na Copa do Mundo de 2019.
Marta impactou o mundo com seu batom vermelho e sua chuteira preta na Copa do Mundo de 2019. / Ian MacNicol/Getty Images

Sem patrocinador há mais de dois anos (desde julho de 2018), Marta segue pensando no ‘coletivo’ e em fazer mais para as futuras gerações. “A valorização ela tem que vir primeiramente de você. A gente espalhou a mensagem durante a Copa e a maneira como a gente agiu e vem agindo constantemente. (...) A nossa luta não é só no esporte, a nossa luta é na vida. A nossa luta é buscar igualdade pra todos em todos os sentidos. Então a gente fica super feliz e a gente vai continuar fazendo isso sempre, buscando a igualdade e o respeito”.

"Meu desejo é que que a gente possa realmente ver a mudança e que as futuras gerações não tenham que sofrer tanto pra alcançar os seus objetivos", completou.

Marta se emociona ao falar de 'caminho longo': "Començando a dar frutos".
Marta se emociona ao falar de 'caminho longo': "Començando a dar frutos". / Ian MacNicol/Getty Images

Marta também lembrou de sua trajetória no esporte, destacando que o caminho não foi fácil e se emocionou. “Olha, o caminho é longo né. A esperança é que realmente exista no futuro, espero que próximo, a possibilidade de vivermos num mundo igualitário e que eu não tenha que estar aqui falando sobre isso. (...) Quando saí de Alagoas, sonhava chegar onde cheguei. Então, essa minha fala é pra agradecer também as atletas e ex-atletas que já passaram pela seleção e que já plantaram aquela sementinha que a gente foi regando constantemente e que hoje tá começando a dar frutos. Então é difícil não se emocionar”, finalizou a camisa 10.

CBF

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, também falou sobre o Equal Pay brasileiro e revelou que a ação vai gerar um aumento de cerca de 400% na remuneração das jogadoras da seleção. “Não há mais diferença de gênero em relação à remuneração entre homens e mulheres. A CBF está tratando de forma equânime, absolutamente equânime, homens e mulheres”, afirmou o dirigente.

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