Libertadores Feminina: análise das chaves e maiores desafios para os times brasileiros no torneio
Por Nathália Almeida
Na tarde da última terça-feira (23), a Conmebol realizou sorteio que definiu os quatro grupos que agitarão a primeira fase da Libertadores Feminina de 2020, competição que será disputada entre os dias 5 e 21 de março em solo argentino.
Com novas forças em ascensão no futebol feminino sul-americano, esta edição de Libertadores tende a ser mais desafiadora para os três clubes que representarão o Brasil: Corinthians, Ferroviária e Avaí/Kindermann estão na disputa e são favoritos a serem protagonistas, mas certamente serão bastante testados na competição. A seguir, uma breve análise sobre cada chave e os principais desafios que aguardam as três equipes verde e amarelas:
Grupo A
Corinthians, El Nacional (EQU), Universitario (PER) e América de Cali (COL)
Atual campeão da América, o Corinthians tem status de time a ser batido na competição e caiu em uma chave bastante acessível, pela qual tende a passar sem sustos.
O América de Cali é um rival tradicional e conhecido do Timão, já que os dois se enfrentaram por duas vezes na edição de 2019, uma na fase de grupos e outra nas semifinais: vitórias tranquilas da equipe paulista por 3 a 1 e 4 a 0, respectivamente.
A participação do El Nacional nesta Libertadores também gera curiosidade, pois sua classificação ao torneio foi uma verdadeira surpresa: destronou o Club Ñañas, principal potência do futebol feminino equatoriano, na decisão do campeonato local.
Grupo B
Boca Juniors, Santiago Morning (CHI), Deportivo Trópico (BOL) e Avaí/Kindermann
Ao mesmo tempo em que o Corinthians tem motivos para celebrar o sorteio, o Avaí/Kindermann certamente 'torceu o nariz' ao ver o que as bolinhas lhe reservaram nesta Libertadores.
É uma chave duríssima, formada pelo atual campeão argentino (Boca) e pela grande potência do futebol feminino chileno nos últimos anos, o Santiago Morning, tricampeão nacional.
O clube xeneize tem investido mais na modalidade e hoje conta com um elenco forte, não à toa foi praticamente o time-base da convocação da Argentina para a disputa da She Believes Cup.
Se a equipe catarinense repetir o bom e organizado futebol que apresentou no Brasileirão 2020, pode superar esse cenário de adversidade. Vale lembrar que esta será a primeira participação do vice-campeão brasileiro em Libertadores.
Grupo C
Independiente Santa Fé (COL), Atlético SC (VEN), River Plate e Sol de América (PAR)
Única chave sem presença de brasileiros, o grupo C é bastante imprevisível. O Santa Fé retorna à Libertadores após não ter disputado a edição de 2019, enquanto o River, que vem lutando para se consolidar como força no cenário nacional, quer deixar para trás a impressão ruim deixada na decisão do Argentino diante do arquirrival Boca.
Grupo D
Ferroviária, Libertad-Limpeño (PAR), Peñarol (URU) e Universidad de Chile (CHI)
Esta será a quinta participação da Ferroviária na história da Libertadores Feminina, clube de enorme tradição na modalidade não só em solo brasileiro, mas continental. Foi campeã em 2015, batendo o Colo-Colo (CHI) na grande decisão.
Em nomes, é uma chave que chama atenção pelo fato de que Peñarol, Libertad e Universidad de Chile são nomes fortes no masculino. No feminino, o cenário muda um pouco de figura: as uruguaias até têm relevância na modalidade, mas perderam um pouco de força em 2020, tanto que sequer chegaram à decisão do campeonato nacional. O Libertad participou da Libertadores em 2019, mas sequer avançou ao mata-mata.
A Locomotiva tem totais condições de passar de fase e repetir a boa campanha da edição passada, quando ficou com o vice-campeonato em solo equatoriano, perdendo para o Corinthians na final.