Reportagem especial

Há uma década! Como o Corinthians se preparava para a sua temporada mais gloriosa e a visão do Fiel Torcedor

Há dez anos, Timão iniciava ano mágico da sua história
Há dez anos, Timão iniciava ano mágico da sua história /
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O ano de 2011, depois da tragédia na pré-Libertadores que levou até mesmo Ronaldo Nazário a pendurar as chuteiras, terminou com o Corinthians campeão brasileiro. Pois mal sabia o mais fiel torcedor que a virada para 2012 representaria a chegada da temporada mais gloriosa da história do clube. Você, que nos lê, se lembra o que acontecia há exatamente uma década?

Pois a gente rememora. O elenco que se apresentou para iniciar um novo ano não teve assim tantas novidades. O zagueiro Felipe, o meia Vitor Júnior, o atacante Gilsinho, o centroavante Elton e o goleiro Cássio iniciavam os trabalhos na nova equipe - Zhizhao viria mais tarde. E não é por nada que deixamos o nome do arqueiro por último, afinal, ele chegava de mansinho ao Parque São Jorge sem saber que, meses mais tarde, se tornaria ídolo, herói e todos os outros adjetivos dessa natureza.

Julio Cesar Corinthians Goleiro 2012
Júlio César iniciou 2012 como goleiro titular do Corinthians / Buda Mendes/GettyImages

Sim, Júlio César ainda era o titular da meta e esteve em campo no dia 21 de janeiro, quando aquele Corinthians estreou de forma tímida no Campeonato Paulista, precisando de uma virada e um gol contra para vencer o Mirassol por 2 a 1. O mais ‘insano’ é que, comparando esta escalação com a que viria, em julho, ganhar a Libertadores, quase nada mudou. Cássio, é verdade, entrou no gol, Chicão se afirmou na zaga e Danilo voltou naturalmente a ser titular.

De resto, foi a mão de Tite que trabalhou aquele grupo para azeitá-lo a ponto de conquistar a América de forma invicta e, mais tarde, o Mundial. Claro, o treinador precisou se impor. Adriano Imperador, por exemplo, não teve vez naquela temporada. Depois de novamente se envolver em confusão durante as férias, foi barrado de algumas partidas na arrancada no trabalho. Voltaria, é verdade, a atuar como titular em fevereiro, só que sua coroa cairia logo em seguida. Novo ato de indisciplina levaria a seu banimento definitivo do clube no início de março.

Enfim, este era o cenário da arrancada do Corinthians em 2012. Quem podia esperar que a maior festa em preto e branco da história de São Paulo estava por vir?

A VISÃO DO FIEL TORCEDOR...

Que fosse 2012 o ano do fim do mundo. Pelo menos acabaria em Corinthians. E se acabasse no Alvinegro do Pacaembu não haveria tragédia. E olha que de catástrofes continentais o Timão entendia bem à época. Depois de anos dos mais intensos escárnios, a Libertadores de 2011 parecia corinthiana antes mesmo do apito soar. Quis o destino que o clube nem começasse. 

A eliminação vexatória ante o pouco expressivo Tolima, da Colômbia, parecia improvável demais. Ronaldo Fenômenos e Roberto Carlos não cederiam aos esforços de um time até então sem grandes feitos. Certo? A história contou outra versão. Semanas depois, outro baque: queda no Paulistão e falha de Júlio César. Dois coelhos numa cajadada só. Pena que quem apanhou foi a Fiel.

Adriano Imperador Centroavante Corinthians
Adriano interrompeu sua passagem pelo Timão em março de 2012 / Edu Andrade/GettyImages

Temporada fadada ao fracasso? Não se você estiver tão acostumado ao sofrimento quanto os corinthianos. Golpeada de todos os lados, a Fiel teve a audácia de se levantar mais uma vez para acompanhar a grandeza do Timão no Brasileiro. E ainda bem que o fizemos. Início arrasador, altos e baixos e gol histórico de Adriano diante do Atlético-MG

04 de setembro de 2011. Dia que marcou a despedida física do incomparável Sócrates - somente física, diga-se de passagem, suas ideias e ideais permanecerão conosco até o fim dos tempos. Naquela data, o empate sem gols contra o arquirrival Palmeiras soou como uma vitória alvinegra. Sem muita beleza ou emoção, mas com eficiência de sobra. E era só isso que a Fiel precisava.

Quando 2012 chegou só falava-se sobre os escatológicos eventos que encerrariam a humanidade. Seja por benção ou maldição, o mundo não chegou ao fim naquele ano. Mas ele conheceu - pela segunda vez em sua não tão curta história - o Corinthians. Mas antes de partirmos rumo a Yokohama: a América do Sul precisava ser conquistada.

Na primeira fase, controle absoluto mesmo nos empates. Da consistência defensiva ao entrosamento do conjunto, o Timão tinha a identidade de Tite. E quem diria que a assinatura do quase demitido treinador nos traria Cássio. Quem era aquele grandalhão de aparelhos nos dentes revelado na base do Grêmio? Nosso maior ídolo no século XXI

Corinthians Torcida Libertadores 2012
Fiel viveu temporada dos sonhos / Buda Mendes/GettyImages

De um corinthiano pra outro, se o duelo Cássio-Diego Souza não te causa arrepios até hoje, reveja seus conceitos. Com Vasco da Gama superado, era a vez do Santos. Neymar, Ganso, Adriano, Edu Dracena e Arouca até resistiram. Mas no fim, Emerson, Ralf, Paulinho e Danilo não iriam parar em outro Alvinegro. Não dessa vez. 

Quis o destino que o aguerrido plantel corinthiano enfrentasse o mítico Boca Juniors na grande decisão. Mas Adenor tinha um plano. Com o entrosamento afiado de quem poderia se comunicar quase telepaticamente com seus comandados, o treinador soube o exato momento de usar seu Cavalo de Troia

Em pleno La Bombonera, a pulsação do estádio ficou mais fraca quando Romarinho encontrou o caminho das redes de Orion. Mais tarde, no dia 04 de julho de 2012, Sheik, duas vezes, deu o xeque-mate. A fama de pulsante até poderia ser do caldeirão argentino do Boca, mas naquele dia nenhum lugar tremeu tanto quanto o Pacaembu. A euforia corria nas veias. Mais tarde, seria Yokohama.

A crônica da fé

Parecia um metrô de São Paulo às seis da tarde de uma segunda-feira. Mas era Guarulhos. Lotado pela Fiel, que se despedia de um Timão que, mais tarde, retornaria ainda mais gigante. Na semifinal do Mundial de Clubes, uma suada vitória contra o Al-Ahly, do Egito, indicava que ninguém teria vida fácil. A Fiel, porém, já estava calejada das dificuldades da vida. Depois de tantas, a gente cria casca.

Tite Corinthians 2012 Libertadores Mundial
De técnico, Tite passou a herói da torcida alvinegra / AFP/GettyImages

Em 16 de dezembro de 2012, cinco dias antes do dito fim do mundo, Yokohama era alvinegra. 68 mil pessoas falando ao mesmo tempo e, ainda assim, o entusiasmo era completamente audível. Não por petulância, excesso de confiança ou certeza da vitória. Mas porque não havia outra forma de ser. Nunca houve com o Corinthians. Sem a torcida, não há time. 

Não houve Torres, reclamações de Riquelme e nem rivalidade brasileira do outro lado do globo. No Pacaembu mais japonês de todos os tempos, o Timão chegava ao topo do planeta pela segunda vez em sua história. E como o mundo ainda não chegou ao fim, nós continuamos aqui. Tentando e tentando e tentando. Para a Fiel, o mundo sempre vai acabar em Corinthians


Nesta terça-feira (25), o Corinthians estreia oficialmente em 2022. Pelo Campeonato Paulista, Sylvinho e seus comandados estreiam contra a Ferroviária, às 21h de Brasília, na Neo Química Arena. 

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