Grêmio, sim, fracassou na Libertadores, e qualquer tentativa de negar isso é esconder conceitos que definham

Fabio Utz
Pool/Getty Images
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No dia 24 de outubro, tão logo o Grêmio conheceu seu caminho nas fases eliminatórias da Libertadores, escrevi um artigo com o seguinte título: "Tradição, qualidade, finanças: predicados colocam Grêmio na obrigação de chegar, no mínimo, à semi da Libertadores". Ali, fiz uma apreciação para defender minha opinião e agora, com o Tricolor fora nas quartas de final, reitero: o time fracassou, e com requintes inesperados de vexame em função da goleada de 4 a 1.

O que a equipe gaúcha, do presidente Romildo Bolzan, do vice de futebol Paulo Luz, do técnico Renato Portaluppi e de um grupo de jogadores que parece ter se acostumado a perder em momentos decisivos, protagonizou frente ao Santos foi algo típico de quem definha em seus próprios conceitos, apesar de acalentar momentos de lucidez, acreditando que tudo está feito da maneira mais correta possível.

ALEXANDRE SCHNEIDER/Getty Images

E explico mais uma vez. Se lembram de 2019, quando os gaúchos foram implodidos da Libertadores com um 5 a 0 para o Flamengo? Para aquela partida o contexto tricolor levou jogadores para o Rio de Janeiro sem condições de jogo só para fazer mistério, gerou duvida na lateral direita até momentos antes de a bola rolar e manteve um Diego Tardelli no banco para um André sem condições. Dessa vez, novamente o departamento médico foi proibido de dar informações sobre atletas (não se sabe a realidade de Jean Pyerre e o que há com Kannemann, que apenas acompanhou o duelo), na lateral direita veio a principal surpresa da escalação (um erro, aliás) e Ferreira ficou como opção para o segundo tempo diante um inexpressivo Luiz Fernando.

Faltou, sim, entender o que aconteceu no Maracanã para não deixar o cenário se repetir um ano depois. Isso que não estou citando as declarações infelizes oriundas dos principais cabeças da instituição. É Romildo afirmando e reafirmando que não vê problema nenhum em deixar a impressão de que Renato manda no clube, é Renato dizendo, sem razão, que seu time joga o melhor futebol do Brasil, é Paulo Luz ocupando suas entrevistas coletivas para enaltecer os testes de Covid-19...

AMANDA PEROBELLI/Getty Images

Se vale a máxima do treinador de que quem investe R$ 200 milhões tem obrigação de ganhar, na comparação com o Santos o Grêmio, financeiramente, é o Flamengo. Ou seja: fracassou sem saber, em 180 minutos, como se joga contra o Peixe. Ganhou quem foi muito melhor dentro de campo e quem teve um treinador mais inspirado e focado na realidade. Perdeu quem tinha a obrigação de não passar por esse fiasco sem qualquer tipo de reação, afinal, segundo os dirigentes, o atual plantel é o mais equilibrado dos últimos anos - e pegou um rival em crise financeira e sem dois de seus principais nomes. Ou é mais um equívoco de avaliação, que eu acho, ou a pior campanha na competição continental desde 2017 não pode passar impune.

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