Copa do Mundo 2022

Faces of Football: Canadá – uma carta à seleção nacional

Nathália Almeida
Foto: Aaron Hooper
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Querida Seleção do Canadá,

Eu tinha 12 anos quando me apaixonei por esse time, e recentemente você realizou um sonho que para a maioria de nós canadenses parecia impossível.

Meu nome é Aaron Hooper, de Ottawa, Canadá, e eu acompanho as seleções nacionais masculina e feminina do Canadá desde 2006. Preciso dizer que, como uma criança que se apaixonou pelo futebol canadense, este não foi um período fácil. Todos os torcedores canadenses, e tenho certeza que alguns de seus jogadores (já que temos a mesma idade), se lembram que, naquela época, o Canadá não tinha times profissionais de futebol - havia indícios de que o Toronto FC se formaria no ano seguinte, em 2007, mas mesmo assim já era um grande negócio.

Ser um fã de futebol canadense naquela época em nosso próprio país, especialmente no ensino médio, não era uma coisa ‘legal’. Muitas vezes éramos ridicularizados por amigos do hóquei no ensino fundamental e no início do ensino médio, implorando às pessoas para treinar e jogar com você, sonhando que um dia o futebol poderia alcançar uma polegada de popularidade ou simplesmente receber algum respeito.

Me lembro de estar com colegas de time no ensino médio, para treinar às 6h30 da manhã, ou no campo depois da escola jogando uma rodada da Copa do Mundo dizendo "Cara, imagine o Canadá jogando uma Copa do Mundo... Eu poderia fazer parte desse time...", mas sempre terminando a conversa com "Mas quem sabe quando isso vai acontecer... Provavelmente quando tivermos netos".

Mas por alguma razão no fundo do meu coração, eu acreditei. Eu acreditava que, durante a minha existência, a seleção masculina do Canadá chegaria à Copa do Mundo.

Da derrota por 8 a 1 para Honduras, alguns ciclos atrás, pensamos que esse dia poderia não acontecer até 2026, quando o Canadá sediará a Copa do Mundo em conjunto. Mas deixe-me dizer, você superou todos os nossos sonhos. Fez todo o Canadá acreditar. Deixou orgulhosos todos os torcedores de uma vida e todos os atletas que um dia vestiram essa camisa do Canadá.

Você transformou sonhos em realidade e permitiu muitos novos sonhos para todos aqueles jovens torcedores que sonham em jogar profissionalmente e agora também sonham em jogar uma Copa do Mundo. Desta vez, não pelo país de origem dos nossos pais, mas pela nossa própria seleção nacional, podendo vislumbrar um caminho de sucesso e podendo sonhar, como realidade tangível, em jogar nas principais ligas da Europa. Jogar ao lado e ser como Jonathan David, Alphonso Davies, Milan Borjan e Atiba Hutchinson.

Ter essa seleção na Copa do Mundo já é um sonho, e chegar às oitavas de final seria surreal, e eu sei que vocês e John Herdman (que precisa de uma estátua!) estão com os olhos postos para além deste objetivo. A bênção que temos a nosso favor é que não há expectativa, pressão e medo.

Vocês não mostram medo em campo e isso é evidente contra todos os adversários. Eu soube disso no exato minuto em que você jogou contra EUA, México e Honduras nas Eliminatórias. Você fez todos nós acreditarmos.

De ter 12 anos e se apaixonar pelo futebol canadense e acreditar no potencial do nosso país, mas ser chamado de louco, e agora ver onde isso chegou é realmente surreal. Para todos nós que choramos lágrimas de felicidade e frustração, sofremos, sonhamos com este momento, acreditamos quando os outros diziam que era impossível e tivemos fé: aproveite o sonho.

Tenho certeza que você já sabe disso, mas não tenha medo, e apenas viva um jogo de cada vez. Continue a transformar a cultura do futebol canadense e continue a tornar o futuro mais brilhante do que o passado.

VAMOS CANADÁ!

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