Futebol Internacional

Eintracht Frankfurt e Europa League: uma história de título, torcida e tradição

Lucas Humberto
Eintracht Frankfurt e sua torcida garantiram alguns dos momentos mais especiais da temporada
Eintracht Frankfurt e sua torcida garantiram alguns dos momentos mais especiais da temporada / Eric Alonso/GettyImages
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Qual a distância entre um grande clube, uma potência e um gigante? Títulos? Torcida? Tradição? Qualquer resposta para tais perguntas serão, na mesma medida, válidas e discutíveis. Quase nada no futebol respira exatidão. Ainda bem.

Finalista da Europa League, o Eintracht Frankfurt possui, com sobras, as três características citadas anteriormente. Grande clube ou um gigante europeu? Você decide. Antes disso, temos uma história para contar.


Eintracht Frankfurt: uma história de título

Semifinalista da Europa League 2018/19, o Eintracht Frankfurt dos dias atuais está pronto para dar um salto em direção ao próximo passo: a conquista. Mas, antes de partir rumo ao futuro, trataremos de passado. Em 1979, o Internacional conquistava seu último título - pelo menos até agora - de Campeonato Brasileiro.

Filip Kostic Azpilicueta Chelsea Eintracht Frankfurt Europa League Rangers
Frankfurt e Chelsea pela Europa League em 2019 / Clive Mason/GettyImages

Em paralelo, Die Adler, ou as Águias, como é conhecido o clube alemão, iniciava sua caminhada de consolidação nos gramados europeus. A Copa da UEFA, hoje chamada de Liga Europa, iniciou no dia 19 de setembro de 1979. Ao longo das três primeiras fases, o domínio alemão era evidente. Três fases depois, três oponentes a menos para o Eintracht.

Aberdeen, da Escócia, Dinamo București, da Romênia, e o tradicional Feyenoord, da Holanda, foram as primeiras vítimas. Nas quartas de final, dos oito clubes envolvidos, cinco eram da Alemanha. Quatro seguiram rumo à semifinal. Não por acaso aquela edição do torneio foi batizada de "Taça da Bundesliga" pelo jornal Die Welt.

De um lado, Bayern de Munique e Frankfurt. Do outro, VfB Stuttgart e Borussia Mönchengladbach. À época, os bávaros até saíram em vantagem no duelo de ida, com 2 a 0 garantido no Olympiastadion. Mas, na volta, a roda da fortuna girou para o lado oposto. Depois de assegurar o empate no tempo regulamentar, o Eintracht terminou o estrago na prorrogação: 5 a 1.

Na grande decisão, o Frankfurt teria nada menos que o Mönchengladbach pela frente, à época o atual campeão do torneio e que tinha entre suas principais armas um certo Lothar Matthäus. Na ida, as Águas não saíram com a vitória, mas conseguiram vender a derrota cara o suficiente para precisar de apenas um gol na volta. Aquele 3 a 2 bastaria.

Diante de 60 mil torcedores no Waldstadion, a equipe de Frankfurt, comandada por Friedel Rausch, partiu em busca da bola mais importante da Copa da UEFA. Devido ao critério do gol fora de casa, bastava um tento. E ele veio aos 81 minutos. Fred Schaub, que sequer estava entre os titulares, precisou de singelos quatro minutos em campo. Predestinado. A Europa tinha dono.

"Houve uma verdadeira festa em Frankfurt. Quando chegamos à cidade, quando pegamos o ônibus... as ruas estavam cheias. Havia pessoas em todos os lugares que nos acolheram. O futebol é tão rápido hoje em dia, mas a imagem desse jogo está sempre na minha cabeça."

Werner Lorant, meia do Eintracht

Eintracht Frankfurt: uma história de torcida

A pandemia do coronavírus proporcionou ao ser humano algumas das imagens mais melancólicas da história recente. Estádios, grandes avenidas, shoppings, bares, parques... todos vazios. A imensidão ecoou um silêncio que demorou meses até ser preenchido da maneira que deveria. Hoje, parece haver vida novamente. Ainda bem.

Se o confronto entre Barcelona e Frankfurt acontecesse um ano atrás, a história talvez tivesse sido muito diferente. Em duelo de volta das quartas de final da competição, o Camp Nou recebeu uma clara mensagem: prazer, torcida do Eintracht. Além de ter lotado o local dos visitantes, os torcedores do clube alemão compraram cerca de 20 mil ingressos nos setores destinado à torcida local.

Barcelona Eintracht Frankfurt Europa League
Torcida alemã tomou conta do Camp Nou / David Ramos/GettyImages

Antes mesmo de atingir seu ápice com a vitória da equipe teutônica por 3 a 2 - gols de Kostic (duas vezes) e Borré, com Busquets e Depay descontando para os culés - a festa já estava na história. Pelo menos uma parte dela. No embate de volta da semifinal, disputado no Waldstadion, o triunfo por 1 a 0 diante do West Ham apenas sacramentou a classificação construída na ida.

Em seus próprios domínios, os torcedores nem sequer tentaram se conter. A eufórica celebração aconteceu dentro das quatro linhas. Nada mais justo. No roteiro do espetáculo, os fãs foram tão protagonistas quanto qualquer um do elenco. Daqui uns anos, a vitória pode até ser esquecida. A invasão, jamais. Essa fica.

Eintracht Frankfurt West Ham Europa League Rangers
Torcida celebrou a classificação dentro do estádio / Alex Grimm/GettyImages

Eintracht Frankfurt: uma história de tradição

Em 1899, nenhum dos considerados 12 grandes clubes brasileiros tinha sido fundado. Mas o Eintracht Frankfurt sim. São incríveis 123 anos de existência. E contando. Agora, as Águias estão prontas para alçar seu voo mais alto nos últimos anos. Chegando ao fim desta história - ou seria início? -, vamos falar de quem, não mais do que.

Borré, o colombiano desejado por vários times brasileiros, é o artilheiro do clube. Sem sua condução ofensiva, é possível que a equipe nem tivesse chegado tão longe. Kostic, o maestro. Responsável por fazer todo mundo jogar. Ndicka é zagueiro, mas deixa ele chegar nos metros finais para ver se ele não consegue um golzinho. Kamada, o senhor Europa League. Gosta de deixar sua marca.

Rafael Borré Eintracht Frankfurt Europa League Rangers
Borré anotou alguns dos gols mais importantes da temporada para o clube alemão / CHRISTOF STACHE/GettyImages

A torcida? Implacável. Para ela, dedicamos um entretítulo inteiro. Nesta quarta-feira (18), o Eintracht Frankfurt irá entrar em campo para enfrentar o Rangers, da Escócia. A partida acontece no
Ramón Sánchez Pizjuán, em Sevilla, na Espanha, às 16h de Brasília. Haverá muito em campo, claro, mas a principal das forças estará nas arquibancadas.

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