Futebol Feminino

Da história recente à estreia europeia: conheça o Real Madrid Feminino, a 'incógnita' da Champions

Lucas Humberto
Em sua estreia na Champions League, Real Madrid chega às quartas de final como uma incógnita capaz de surpreender
Em sua estreia na Champions League, Real Madrid chega às quartas de final como uma incógnita capaz de surpreender / Angel Martinez/GettyImages
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Quantas vezes você torceu pelo azarão no futebol? Bem, se sua resposta foi diferente de muitas, talvez você devesse rever alguns conceitos. Este papel será cumprido pelo Real Madrid nas quartas de final da Champions League feminina. Ironicamente ou não, ficou de responsabilidade dos grandes arquirrivais da Espanha protagonizar um duelo que promete mudar a história da modalidade no Velho Continente. El Clásico é sempre El Clásico.

Mas, apesar da grandiosidade que acompanha os respectivos nomes das instituições esportivas, apenas um dos projetos está devidamente consolidado. E para tristeza dos torcedores do clube da capital espanhola, estamos falando do Barcelona de Alexia Putellas, a melhor jogadora do mundo. Para entender os motivos que fazem do Real Madrid um time menos expressivo no futebol feminino, nem será preciso voltar tanto no tempo assim.


Do CD Tacón ao emblema merengue: uma história talvez breve demais

Alexia Putellas Kenti Robles Champions League Feminina
Rivais espanhóis se encontram nas quartas da Champions / Quality Sport Images/GettyImages

Fundado nos recentes idos de 2014, o Club Deportivo Tacón acabou sendo o embrião que os merengues precisavam para criar sua equipe feminina. Com o acesso à elite do futebol espanhol garantido em apenas cinco anos de projeto, o clube, também de Madrid, foi oficialmente adquirido pelos merengues no dia 25 de junho de 2019.

A priori não houveram tantas mudanças assim. Na temporada 2019/20, o CD Tacón - ainda com nome original -, teve dificuldades notáveis na primeira divisão, tendo inclusive perdido para o consolidado Barcelona na estreia, por incríveis 9 a 1. Não houve vida fácil, claro, mas a permanência na elite estava assegurada. E, pelo menos por enquanto, era isso que importava.

No dia 01 de julho de 2020, o Real Madrid divulgou um comunicado oficial anunciando a absorção completa do CD Tacón que, a partir daquela data, se transformaria no clube que conhecemos hoje. Renovada e com novo nome, a equipe mostrou boas credenciais em sua campanha de estreia na Primera Iberdrola, a elite local. E ali começava o próximo capítulo da história.


Do emblema merengue aos gramados europeus: uma história que está só começando

Claudia Zornoza Real Madrid Barcelona Champions League
Zornoza está entre os destaques da equipe da capital / Angel Martinez/GettyImages

Sorte de principiante? Talvez. Mas nada que anule o fato do Real Madrid ter conseguido, em sua estreia, encerrar a Primeira Iberdrola 2020/21 na vice-liderança, atrás justamente do Barcelona. A campanha teve como destaque as goleadoras suecas Kosovare Asllani e Sofia Jakobsson. A vaga na Champions League estava garantida.

Poderia, então, uma equipe ainda em processo de consolidação ir longe na maior competição de clubes do futebol europeu? Se você está lendo este artigo, a resposta só pode ser sim. Logo no início da trajetória merengue na Liga dos Campeões, a amostra de grandiosidade diante do consistente Manchester City foi quase um sinal dos tempos.

Pela segunda rodada do torneio continental, o time espanhol garantiu a permanência de forma histórica: após empate dentro dos seus domínios, a vitória nos gramados ingleses, por 1 a 0, teve requintes de tradição. E era só o começo. Posteriormente, já na fase de grupos, as vitórias diante de Zhytlobud (Ucrânia) e Breidablik (Islândia) mantiveram o sonho madrileno vivo.

Sem esquecer, claro, dos percalços. Em duas oportunidades enfrentando o Paris Saint-Germain, o time espanhol sofreu seis gols e não conseguiu anotar nenhum. Mas, afinal de contas, qual das versões veremos agora que as quartas de final estão batendo à porta? Da vitória gigantesca sobre o City ou da passividade perante as francesas?

Impossível prever, mas vale a pena observar de perto. Afinal, nunca sabemos quando a história está sendo escrita. Nesta terça-feira (22), não deixe de assistir ao duelo entre Real Madrid e Barcelona, disputado no Estádio Alfredo Di Stéfano. A vida não costuma dar um El Clásico de presente nas quartas da Champions League com tanta frequência assim.


Campanha e destaques do time blanco no torneio

Esther Lauren Hemp Real Madrid Barcelona Manchester City Champions League
Real Madrid garantiu grande feito contra o City / Robbie Jay Barratt - AMA/GettyImages

Fique de olho no brilhantismo da lateral mexicana Kenti Robles, da atacante Esther, da meio-campista Claudia Zornoza e, claro, do técnico Alberto Toril. Se esses personagens irão aproveitar o fator casa para construir uma vantagem ainda é cedo para dizer. Na semana que vem será no Camp Nou. E lá será bem mais complicado...

Campanha na fase de grupos
4 vitórias, 2 derrotas e 0 empates - 12 gols marcados e seis sofridos

Zhytlobud-1 0 x 1 Real Madrid (06/10)
Real Madrid 5 x 0 Breidablik (13/10)
PSG 4 x 0 Real Madrid (09/11)
Real Madrid 0 x 2 PSG (18/11)
Breidablik 0 x 3 Real Madrid (08/12)
Real Madrid 3 x 0 Zhytlobud-1 (16/12)

Artilheira do time: Caroline Møller, com 3 gols anotados
Média de gols: 2 gols marcados/partida, 1 gol sofrido/partida


O primeiro El Clásico da história da Champions League Feminina acontece na terça (22), às 17h (de Brasília), no Estádio Alfredo di Stéfano, em Madri. O jogo de volta, no Camp Nou, em Barcelona, acontece no dia 30 de março.

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