Futebol brasileiro

Corinthians inclui vendas de jogadores e receitas de TV como garantias de acordo com a Caixa

Lucas Humberto
Corinthians tem até 2041 para quitar o financiamento da Neo Química Arena
Corinthians tem até 2041 para quitar o financiamento da Neo Química Arena / Ricardo Moreira/GettyImages
facebooktwitterreddit

Depois da aprovação unânime do Conselho Deliberativo, o Corinthians assinou nesta semana o novo acordo com a Caixa Econômica Federal sobre os pagamentos pendentes da Neo Química Arena. Para acertar as bases do documento, o Timão incluiu como garantia as receitas de eventuais vendas de jogadores e os direitos de transmissão.

A informação foi dada em primeira mão por Daniella Marques, presidente do banco estatal. Wesley Melo, diretor financeiro do Alvinegro, confirmou ao ge: "Eu só posso responder o que ela já tornou público, porque há cláusulas de confidencialidade no contrato assinado por nós, então não podemos abrir detalhes".

"Mas as garantias passam por direitos de TV, também por receitas de vendas de jogadores, mas isso em último caso, caso o Corinthians não consiga compor o saldo para fazer os pagamentos dos juros e do principal. Nossas projeções de pagamento são plenamente factíveis", revelou. Para Daniella Marques, a operação de crédito para construção da Arena foi "malsucedida".

"Vai sair uma operação de reestruturação, se não me engano foi comunicada hoje (terça), para que a gente reforce as garantias. E aí, trazendo garantias envolvendo a bilheteria do estádio, a venda de direitos de transmissão dos jogos, a cessão de alguns jogadores, para que a gente reforce as garantias e recupere esses recursos", listou a presidente.

"Foi uma operação de crédito muito malsucedida, que a gente ainda tenta recuperar e reestruturar", afirmou. A declaração não repercutiu bem. Por isso nesta quarta-feira, 27, a presidente voltou atrás e escreveu em rede social que o novo acordo é "histórico e bem-sucedido". Para Wesley Melo, questões macroeconômicas influenciaram no contrato inicial.

Neo Química Arena, estádio do Corinthians
Diretor financeiro do Corinthians defende que as projeções de pagamento são plausíveis / Ricardo Moreira/GettyImages

"A primeira engenharia financeira que foi feita, conduzida pelo presidente Andrés, fazia muito sentido na época. Para as informações daquele momento, eram relevantes, possíveis, factíveis. O problema é que o país mudou. Ações externas influenciaram e comprometeram a realização do que estava projetado. São coisas que fogem do seu controle por questões macroeconômicas"

Wesley Melo ao ge

Na época da construção do estádio, o Corinthians contraiu um empréstimo de R$ 400 milhões. Hoje, a dívida está em R$ 611 milhões. Pelo novo contrato, o Timão estará isento de pagamentos neste ano. Em 2023, o débito começará a ser quitada pelos juros do financiamento. Em 2025, o clube passará a pagar também o valor emprestado pelo banco.

Ficou estabelecido que o prazo para quitação do acordo é 2041, com parcelas trimestrais. Parte do financiamento, vale lembrar, será pago com o valor dos naming rights da Neo Química Arena. A celebrada venda da propriedade em 2020 deve render cerca de R$ 400 milhões devido ao reajuste anual pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM).

facebooktwitterreddit