Coração dividido? A curiosa história de Sergiño Dest, que nasceu na Holanda e atua nos Estados Unidos

Nathália Almeida
Dest nasceu em Almere, na província de Flevolândia
Dest nasceu em Almere, na província de Flevolândia / Jam Media/GettyImages
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Cada vez mais globalizado, o futebol também é apaixonante por sempre nos proporcionar histórias curiosas e reencontros inesperados. A Copa do Mundo, principal torneio do calendário do esporte mais amado do planeta, já foi palco de enredos marcantes como o duelo entre os irmãos Jerôme Boateng (Alemanha) e Kevin-Prince Boateng (Gana), que optaram por representar seleções diferentes em suas respectivas carreiras e tiveram que se enfrentar no Mundial de 2014, no Brasil.

Em 2022, no Catar, uma dessas marcantes histórias de reencontro acontecerá neste sábado (3), mais especificamente quando Holanda e Estados Unidos adentrarem o Estádio Internacional Khalifa para inaugurar a fase de oitavas de final da Copa do Mundo. Isso porque o lateral-direito Sergiño Dest, que representa a seleção estadunidense, terá que enfrentar o país onde nasceu e deu seus primeiros passos como ser humano e também como atleta.

Sergiño Dest
Dest representa os Estados Unidos desde as seleções de base / Emilee Chinn/GettyImages

Escolha sem hesitação e idolatria por brasileiros: conheça Sergiño Dest

Nascido em Almere, nos Países Baixos, Sergiño Gianni Dest é filho de pai suriname-americano e mãe neerlandesa. Kenneth Dest, seu pai, se mudou ainda muito jovem para o Brooklyn, construíndo boa parte de sua vida nos Estados Unidos da América antes de se mudar para os Países Baixos.

Apaixonado por futebol desde garoto, Sergiño começou sua carreira no modesto Almere City antes de rumar, aos 12 anos de idade, às categorias de base do maior clube da Holanda: o Ajax.

Sergino Dest
Dest começou sua carreira profissional no Ajax / Soccrates Images/GettyImages

Em paralelo ao avanço de sua carreira nas equipes juniores de um clube gigante e tricampeão da Champions League, o jovem defensor teve que se deparar, ainda garoto, com uma questão que nortearia sua carreira: a escolha pela seleção que representaria a nível internacional. Com dupla nacionalidade, o veloz e talentoso lateral poderia optar pela Oranje ou pelos Yankees.

O chamado para disputar torneios de base pelos Estados Unidos, ainda aos 16 anos, foi recebido com grande orgulho e empolgação por Dest: aos seus olhos, a convocação para disputar o Mundial Sub-17 de 2017 foi indicador de que as portas da USMNT estavam abertas para seu futebol. Dois anos depois, o camisa 2 decidiu, de forma definitiva, que defenderia os Estados Unidos da América internacionalmente.

Sergino Dest
Em 2019, Dest decidiu que representaria os Estados Unidos em nível profissional / John Dorton/ISI Photos/GettyImages

Lateral habilidoso e de características ofensivas, Sergiño revelou, em entrevista concedida em 2020, que algumas de suas grandes inspirações de criança são ídolos históricos da Seleção Brasileira.

"Eu via pequenos vídeos do Ronaldinho e de outros grandes jogadores de futebol – Ronaldo Fenômeno e Robinho, por exemplo – e sempre treinava, no meu quintal de casa, os mesmos movimentos que eles faziam. Eu me condicionei muito, tentava fazer todos os truques e não entrava em casa até que conseguisse acertar"

Dest, em entrevista concedida em 2020

Neste sábado (3), Dest terá um desafio de grande carga emocional a nível pessoal e também profissional, afinal, sua equipe terá a chance de fazer história diante da Holanda: caso eliminem a Laranja Mecânica, os Yankees igualarão a melhor campanha do país em Copas do Mundo neste século. Em 2002, a USMNT chegou às quartas de final.

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