Opinião

Contratação de Marcinho pelo Bahia é injustificável em todas as instâncias possíveis

Lucas Humberto
Lateral não agrega no âmbito técnico e está promovendo um sério desgaste interno
Lateral não agrega no âmbito técnico e está promovendo um sério desgaste interno / Heuler Andrey/GettyImages
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O Bahia anunciou nesta segunda-feira, 1, as contratações do meia-atacante Ricardo Goulart e do lateral-direito Marcinho. A segunda das chegadas, claro, está gerando uma dose extra de barulho. E a explicação é bem simples: o jogador de 26 anos é réu por ter atropelado e provocado a morte de dois professores no Rio de Janeiro, em 2020. Na ocasião, ele saiu do local sem prestar socorro.

Marcinho responde a um processo criminal e, pelo código penal, pode ser condenado a uma pena que vai de dois a quatro anos de prisão. Eduardo Freeland, diretor de futebol do Esquadrão de Aço, justificou a investida no atleta em entrevista ao Papo Livre, do Bahia. Ele lembrou o tempo em que trabalhou com o atleta no Botafogo.

"Entendendo também o histórico que tenho com o Marcinho, um jogador com quem tive o prazer de trabalhar na base do Botafogo. Recebi ele e sua família quando ele tinha 15 para 16 anos e conheci muito bem o atleta, sua conduta, seu caráter, como também a família, que acompanhava a rotina do clube", destacou.

"Lamentavelmente se envolveu num acidente do qual ele já reconheceu seus erros, pediu perdão, e tem cumprido e cumprirá tudo que a Justiça determinar. Inclusive, o Bahia, obviamente, sempre respeitará as decisões judiciais"

Eduardo Freeland

Em paralelo, como era de se esperar, os protestos tomaram grandes proporções nas redes sociais. A torcida organizada Tricoloucas repudiou o reforço e afirmou em manifesto: "futebol não é e nem deve ser palco para criminosos". "Em um espaço onde tomamos pessoas como ídolos, não faz jus ter um assassino ocupando um posto que não lhe cabe", seguiu. Veja na íntegra:

A contratação do lateral não seria bem-vinda em nenhum clube brasileiro. Mas há um peso maior se tratando do Bahia. Marcado pelo vanguardismo político construído ao longo de décadas, o Esquadrão de Aço deixa sua história ser manchada por um reforço - que, aliás, é de qualidade técnica para lá de duvidosa.

Aqui, a discussão nem chega a ser sobre punição eterna, afinal, Marcinho sequer pagou pelos seus crimes. Falamos sobre um homem que, deliberadamente, omitiu socorro depois de ter atropelado duas pessoas. Um acidente fatal é passível de perdão. Dependendo do contexto, claro. Fugir do local, em contrapartida, não por acaso é considerado crime.

As três partidas disputadas em 2022 encerraram uma péssima passagem pelo Athletico-PR. No Botafogo, nunca chegou a se firmar. Tecnicamente, a investida não faz o menor sentido. Eticamente, o desgaste promete ser monumental. A torcida, ao contrário da própria agremiação, não deve esquecer tão fácil o progressismo social que é parte do DNA do Bahia.

Marcinho, lateral do Bahia
Marcinho em ação pelo Athletico-PR / Buda Mendes/GettyImages
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