Opinião

Do campo à política: como a volta de Renato mexe com o Grêmio e sua tentativa de voltar à elite do futebol nacional

Fabio Utz
Treinador teve sua volta confirmada na noite de quinta-feira
Treinador teve sua volta confirmada na noite de quinta-feira / Etsuo Hara/GettyImages
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Renato Portaluppi não é apenas o homem gol, o jogador que deu ao Grêmio o maior título da sua história. Renato Portaluppi é, também, um técnico de futebol - dos bons. E a sua volta ao Tricolor, anunciada na noite de quinta-feira, é repleta de significados.

O primeiro e mais óbvio: o clube notou (um pouco tarde, é bem verdade) que, do jeito que estava, não poderia ficar. Que até a vaga de volta à elite do futebol brasileiro começava a ficar comprometida diante dos insucessos recentes e da incapacidade de Roger Machado em tirar mais de um grupo que, embora muito fraco, não pode correr riscos em uma Série B de baixo nível técnico.

O retorno de Renato à Arena ainda revela o total fracasso do projeto da atual gestão gremista em retomar as rédeas do vestiário azul. O próprio presidente Romildo Bolzan Júnior já deixou claro que, quando seu Conselho de Administração decidiu por mudar uma rota e demitir Renato no ano passado, a ideia era alterar a estrutura do futebol gremista, garatindo a um vice de futebol o poder do comando. Nenhum escolhido deu certo (obviamente, por incompetência para ocupar tal cargo), e agora devolve-se a chave para quem nunca deveria ter saído lá de dentro.

Por fim, não se pode esquecer da questão política. A atual gestão gremista está chegando ao fim, e a oposição vem com força para tentar tomar o poder. Para os candidatos que já estão circulando por aí, era muito fácil dizer que não iriam manter Roger. Agora, com Renato é diferente. Quem ousar questionar a presença do ídolo perde pontos junto à torcida.

Possivelmente estejamos do primeiro grande acerto de Romildo desde que foi aclamado presidente para um 'inventado' terceiro mandato. Sim, o Grêmio entrou em queda livre desde 2020, e agora tenta uma última cartada para começar a se recompor. Mas repito: se engana quem acha que essa decisão tem relação, apenas, com o que vinha acontecendo dentro das quatro linhas.

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