Entrevista

Campeão do mundo pelo Corinthians em 2000, Marcos Senna relembra duelo com o Real Madrid: 'Especial'

Lucas Humberto
Marcos Senna conversou com o 90min sobre Corinthians, futebol europeu e mais
Marcos Senna conversou com o 90min sobre Corinthians, futebol europeu e mais / Arte: 90min
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Qual o limite para um atleta? Alcançar o continente? Conquistar o país? Talvez chegar ao Olimpo? Marcos Senna pode responder, afinal, ele sabe exatamente a sensação de duas dessas glórias. E uma extra: a idolatria. Com mais de uma década dedicada ao Villarreal, o volante atingiu seu ápice pela Seleção Espanha ao vencer a Eurocopa de 2008.

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Timão venceu o Mundial de 2000 / Shaun Botterill/GettyImages

Mas, a história que vamos contar agora remete precisamente ao início do século. Em 2000, o Corinthians venceu seu primeiro Mundial. Senna estava lá. E, embora a grande decisão tenha sido disputada contra o Vasco da Gama, um dos duelos mais marcantes envolveu alvinegros e merengues. À época, ainda na etapa de grupos, Timão e Real Madrid empataram em 2 a 2.

"Era o primeiro Mundial do Corinthians. A ilusão era máxima, queríamos chegar o mais longe possível, e conseguimos, fomos campeões. Obviamente jogar contra o Real Madrid é o máximo. Se aqui já é assim, imagine na América do Sul", contou o volante aos nossos parceiros do 90Min da Espanha.

"Foi algo muito, muito especial. Muito grande porque era o primeiro Mundial do Corinthians e é um campeonato que todos nós da América do Sul queremos ganhar. A semana prévia foi toda sobre esse jogo. Durante e depois do jogo foi uma festa. Obviamente não estava nada decidido, mas jogar contra o Real Madrid e conseguir um bom resultado é muito difícil, e conseguimos. "

Senna, ao 90min ES
"Jogar contra o Real Madrid já é um sonho na Europa, imagina para a América do Sul"

Campeão do Mundial com o Corinthians em 2000, Marcos Senna relembra empate com o Real Madrid no torneio daquele ano.

Posted by 90min on Monday, April 11, 2022

Na ocasião do duelo, que teve dois gols de Anelka favoráveis aos Blancos e dois de Edílson 'Capetinha' para o alvinegro, cerca de 55 mil pessoas marcaram presença no Morumbi. A Fiel, como de costume, fez seu papel com maestria. Habituado aos grandes públicos, Senna reconheceu a paixão dos brasileiros pelo futebol, mas não deixou de evidenciar como a violência pode afastar.

"Quando vou ao Brasil, vejo uma paixão louca pelo futebol. Venho à Europa, na Espanha, e acontece o mesmo, na Inglaterra também. Acho que aqui há melhores condições - comparando Brasil e Europa, não sei na Argentina - de ir a campo com menos risco de violência. Então tem muito mais crianças, famílias, arquibancada cheia", contou.

"No Brasil, vai muita gente aos jogos, mas é torcida única, não dá para misturar, sobretudo quando há um dérbi, um clássico. Se meus filhos vão ao jogo com uma camisa do Villarreal ou de outro time, não acontece nada. No Brasil, não é assim. Não é tranquilo, tem gente que agride, que briga. Não consigo dizer onde a paixão é maior. É igual, acho", completou.

"Quando vou ao Brasil, vejo uma paixão louca pela futebol"

Brasileiro naturalizado espanhol com passagens por Corinthians e Villarreal, Marcos Senna fala em entrevista exclusiva ao 90min sobre a diferença entre as torcidas no Brasil e na Espanha.

Posted by 90min on Monday, April 11, 2022

A Copa do Mundo sob os olhares de um campeão da Euro

Com pouco mais de sete meses até a Copa do Mundo, Marcos Senna certamente não poderia terminar a conversa com nosso parceiros europeus sem comentar sobre os favoritos ao título mais importante do ano no âmbito das seleções. "Os candidatos são os grandes: na América do Sul, Argentina e Brasil sempre são candidatos a jogar e ganhar a Copa", opinou.

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Senna foi um dos destaques da Euro 2008 / JOE KLAMAR/GettyImages

"Na Europa, obviamente os que estão. A Itália não estará e isso já tira um peso do nosso caminho. Holanda, Alemanha, Espanha, agora Portugal, com bons jogadores. Inglaterra, Bélgica, também. Estou falando de grandes seleções. França é uma das favoritas. Do goleiro ao atacante, é muito forte", completou.

"Considero as grandes seleções europeias como favoritas. Não falei da Croácia, não sei como está. Mas há grandes seleções, sabemos que é muito difícil ganhar a Copa. O último que o Brasil ganhou foi em 2002, já faz 20 anos. Argentina, em 1986. Veja como é difícil ganhar. Mas, afinal, as seleções europeias, com Argentina e Brasil, são as candidatas a vencer o título", finalizou.

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