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Atlético-MG confirma dívida superior a R$ 1,2 bilhão, mas apresenta plano de redução drástica em cinco anos

Fabio Utz
Galo investiu R$ 253 milhões no elenco somente em 2020.
Galo investiu R$ 253 milhões no elenco somente em 2020. / DOUGLAS MAGNO/Getty Images
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Foi através de um evento público, o Galo Business Day, que o Atlético-MG apresentou todos os detalhes de seu atual momento financeiro e, ainda, o planejamento estratégico para os próximos cinco anos. Mesmo que a instituição tenha fechado com R$ 19 milhões de reais positivos o último exercício, conforme já se antecipava, o endividamento do clube ultrapassou a marca de R$ 1,2 bilhão de reais.

"Só revela os números quem tem coragem de não escondê-los e quer enfrentar a realidade, por mais dura que ela possa ser."

Sérgio Coelho, presidente do Atlético-MG

Esse número passou de R$ 747 milhões ao final de 2019 para R$ 1,209 bilhão em 2020. Isso tem relação direta com financiamento de déficit de caixa (45% - R$ 209 milhões) e investimento em atletas (55% - R$ 253 milhões, que hoje, na avaliação interna, já representam R$ 630 milhões em patrimônio). Diz o diretor de Administração e Finanças, Paulo Braz: "42% dessa dívida (valores passados, processos na Fifa e dívidas bancárias) exigem ação imediata. Precisamos atacar de maneira definitiva, reduzindo valores, negociando prazos". Diante deste cenário, existe o objetivo de chegar a 2026 no patamar de dívida na casa de R$ 341 milhões, que é basicamente o valor relativo, atualmente, a Profut e parcelamento de impostos.

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Galo viu sua dívida disparar ao longo dos últimos anos / Pedro Vilela/Getty Images

"Estou preocupado para que tenhamos despesas reduzidas e façamos frente a este passivo. Queremos pagar e vamos pagar. Mas os credores têm que se adaptar ao fluxo do Atlético. Ele é modesto ainda, mas irá crescer."

José Murilo Procópio, vice-presidente

Para tanto, há algumas metas. Mesmo que a direção entenda que o investimento esportivo tem relação direta com os resultados de campo, não se pode extrapolar. O teto anual de folha não pode passar de R$ 200 milhões. Além disso, o gasto com novos jogadores chegará a, no máximo, R$ 50 milhões. Também se quer alcançar vendas na casa dos R$ 120 milhões e ter 33% do elenco formado por jogadores oriundos da base: "A dívida é grande, mas temos patrimônio muito superior a isso. Temos forma de zerar esse legado oneroso, que é o que dificulta de sobremaneira nossa gestão diária de caixa. Pagamos R$ 500 milhões de juros só nos últimos dez anos. Isso precisa acabar. Temos patrimônio e potencial de receita. Dá para colocar o plano para rodar, com muita disciplina e governança", afirmou Rafael Menin, investidor atleticano e um dos responsáveis pela gestão alvinegra.

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Galo fez contratações de peso nos últimos mercados / MANAURE QUINTERO/Getty Images

"Não é um trabalho que vai ter resultado amanhã. Precisamos plantar primeiro para colher no futuro. Vamos dar conta do recado. A batalha é grande, mas não tenho dúvida que o Galo tem um futuro brilhante pela frente."

Rafael Menin, investidor do Galo

Caso os objetivos sejam alcançados, a partir de 2027 poderá se aumentar o investimento em folha e elenco: "Gastar dinheiro a Deus-dará não dá certo no futebol. O Atlético se equipa para ter maior eficiência no que é investido e no resultado esportivo", completou Menin. Com a dívida equacionada, pensa-se em estar, sempre, entre os dois ou três grupos mais valorizados do país e, por consequência, lutando sempre na ponta dos campeonatos.

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Dívida do Galo saltou em 462 milhões no ano passado. / Reprodução

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