Opinião

A diferença entre teoria e prática na violência da torcida do Santos contra Cássio

Lucas Humberto
Invasão de torcedores pode gerar graves punições ao Santos
Invasão de torcedores pode gerar graves punições ao Santos / Guilherme Dionizio/Código19/Gazeta Press
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A missão do Santos na volta das oitavas da Copa do Brasil era hercúlea. Tirar uma vantagem de quatro gols contra uma das melhores defesas do país? Improvável e por muito pouco não impossível. Marcos Leonardo até diminuiu ao converter um pênalti, mas era tarde demais. A segunda parcial se aproximava da metade. Ali, a queda era certa.

Menos de 10 dias antes, outra eliminação, esta talvez ainda mais dolorosa. Novamente na Vila Belmiro, o Peixe não conseguiu segurar o Deportivo Táchira e, da marca do cal, viu a Copa Sul-Americana esvair. Isso pouco tempo depois de ser goleado pelo Corinthians e ver Gabigol vestir toda sua petulância e arrogância para desfilar no palco que um dia foi seu.

Santos foi eliminado pelo Corinthians na Copa do Brasil
Peixe vive momento conturbado / Ricardo Moreira/GettyImages

Se olharmos o extracampo, a situação é ainda mais conturbada. Ariel Holan, Fernando Diniz, Fábio Carille, Fabián Bustos... todos demitidos antes de sequer chegar ao marco de 50 partidas. Edu Dracena também se despediu. No âmbito esportivo, as duas últimas temporadas foram marcadas por perigosos flertes com a zona do rebaixamento estadual.

A combinação de acontecimentos fere. Ainda mais uma torcida tão acostuma ao protagonismo. No futebol, os sentimentos de misturam. A diferença entre sentir e agir é exatamente a linha tênue entre teoria e prática. Que, não por acaso, determina o caráter - ou, no caso da agressão a Cássio nesta quarta, 13, a falta dele.

Bombas, sinalizadores atirados no campo e uma investida física contra um homem de costas. De costas. Depois do apito final, Cássio não poderia fazer nenhum tipo de maleficio futebolístico ao Santos. Ele só poderia se defender. Ainda assim, alguém o elegeu como alvo num direcionamento completamente equivocado das forças.

A revolta talvez não fosse com o Corinthians. A eliminação estava praticamente sacramentada há semanas. A brutalidade das ações só poderiam atingir o próprio Peixe. E, se o torcedor tivesse pensado por 10 segundos antes de adentrar o gramado, teria concluído isso sozinho. É a diferença entre sentir, agir, teoria e prática. Que venha a punição.

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