Em meio a polêmicas de arbitragem e altitude, o ​Flamengo empatou em 2 a 2 com o Independiente del Valle, no Equador, na última quarta-feira (19), e deixou a decisão da Recopa Sul-Americana para o Rio de Janeiro. O Rubro-negro não fez uma partida ao seu estilo, sofreu durante boa parte do confronto e viu dificuldades para criar diante de um adversário consistente. O empate, no todo, foi positivo.


O Independiente del Valle é um time relativamente novo (61 anos), sem muita tradição, torcida e investimento, mas com muita consciência de sua proposta e de personalidade forte. Os equatorianos fogem do senso comum de que “toda equipe que atua na altitude é ruim” e que conseguem o resultado exclusivamente pelas condições geográficas.

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TIME AJUSTADO E BOM TREINADOR

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Os fãs do esporte que acompanham o Independiente del Valle e/ou assistiram ao primeiro confronto contra o Flamengo perceberam que os equatorianos gostam da bola e que têm um time bastante ajustado. O “badalado” e sondado treinador Miguel Ángel Ramírez tem uma filosofia de jogo clara, objetiva e letal. O grupo do espanhol gosta de amassar os adversários e de propor o jogo. O Mais Querido pode ter mudanças para a decisão da Recopa e deve tomar cuidado com a falta de ritmo, entrosamento e condições físicas.


FRIEZA: GELO NO SANGUE DE LÁ PARA CÁ

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O Flamengo tem um time melhor, com muitas estrelas, um ótimo treinador e grandes conquistas. Logo, o pensamento de muitas pessoas era de que o Del Valle iria abdicar de sua proposta de jogo e apenas “segurar” o rolo compressor carioca. Entretanto, a prática foi diferente e os equatorianos não só atacaram como foram melhores durante a maior parte da partida. Los Rayados del Valle têm um modo de se portar em campo e não abrem mão – basta ver que o Mais Querido virou o confronto aos 40’ do segundo tempo e o Del Valle seguiu da mesma maneira.


INTENSIDADE X CANSAÇO

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O Mister (enfim) poupou, mas ainda assim o Flamengo vem em uma ‘pegada’ muito forte para um começo de temporada. Em 20 dias, o grupo principal do rubro-negro disputou seis partidas – média de um confronto a cada 3,33 dias –, considerando ainda duas decisões (Supercopa do Brasil e Taça Guanabara) e o primeiro jogo da Recopa, além de viagens, treinamentos intensos e altitude. O peso de atuar em alto nível, com muita intensidade e com a pressão de uma terceira final em tão pouco tempo deve ser ponto de atenção e cautela de Jorge Jesus.


BRUNO HENRIQUE ... JOGA?

Bruno Henrique

Bruno Henrique empatou o confronto no Equador e foi determinante para o resultado. O camisa 27 tem sido muito importante em todos os campeonatos que o clube carioca disputa e a principal engrenagem de desafogo do elenco de Jorge Jesus. Porém, o atacante sentiu fortes dores no lance do gol em Quito e é dúvida para a grande decisão. A tendência é de que o atacante jogue, mas, caso não esteja em campo, é uma grande baixa para o grupo.


HISTÓRIA PARA O BEM OU PARA O MAL

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O Flamengo tem cinco títulos internacionais (Libertadores – 2019 e 1981; Mundial – 1981; Mercosul – 1999; Copa Ouro – 1996) e nenhum foi conquistado em sua casa: o Maracanã. O Rubro-Negro chegou perto em duas oportunidades, mas saiu derrotado: em 1995, perdeu a Supercopa da Libertadores, e, em 2017, a Copa Sul-Americana. A precaução nunca é demais e os comandados por Jorge Jesus devem entrar em campo extremamente ligados na história, seja para evitar a derrota ou para marcar ainda mais o nome na memória dos flamenguistas.