​Quando pensamos no futebol de alto rendimento, ou seja, em clubes considerados de primeiro escalão em seus respectivos países, glamour e grandes cifras vêm imediatamente à cabeça. Pelo prestígio e pela chance de uma vida melhor, é fato que defender uma grande camisa na Europa é o sonho de quase todo moleque sul-americano que quer ser jogador de futebol. Contudo, a realidade pode ser bem diferente deste cenário que costumamos 'romantizar', e o caso de ​Lucas Paquetá é uma prova disso.

​​Revelado pelo ​Flamengo, o meia de 22 anos está desde o ano passado no futebol italiano, defendendo um dos clubes mais tradicionais do mundo, o Milan. Tudo aconteceu muito rápido na carreira do garoto: a profissionalização, o posto de xodó junto à maior torcida do país, a primeira convocação para a Seleção e a transferência ao Velho Continente. Processar todas essas mudanças pode ser desafiador para um jovem talento, principalmente em um cenário estranho, novo, distante de familiares, amigos e demais rostos conhecidos.



O status de prodígio e as altas cifras que cercaram sua contratação geraram uma expectativa irreal em torno de Paquetá e, consequentemente, uma cobrança interna muito forte do atleta sobre ele próprio. As atuações abaixo da média o levaram ao banco de reservas, e a reserva, de acordo com o ​Blog do Menon, culminou em um quadro de ansiedade e estresse

Lucas Paqueta

Jovem e, antes de tudo, humano, Lucas Paquetá experimenta o 'lado cruel' do futebol de alto rendimento, onde os processos e prazos são extremamente velozes, e a lógica do resultado e do retorno financeiro estão sempre em primeiro lugar. O custo disso costuma ser muito alto à saúde mental do jogador profissional, tema tratado como tabu no meio esportivo pela ideia equivocada de que esses indivíduos são inatingíveis, alheios à dores e tristezas. Não são.