Da várzea ao mundo. Bruno Henrique teve sua formação como jogador nos campos de terra do futebol amador de Minas Gerais e despertou os olhares para a elite do esporte no Brasil apenas aos 21 anos de idade. O atacante do ​Flamengo demorou a engrenar e poucos acreditavam que iria ‘vingar’ como atleta profissional.


Em 2012, “Bruninho” ou “Mosquito”, como era chamado na época, era apenas um coadjuvante de seu irmão Vander Nunes, também conhecido como “Juninho Neymar”, no ataque do Inconfidência, time amador do bairro Concórdia, em Belo Horizonte. A insistência dos avós, responsáveis pela dupla, deu resultado ao menos para o melhor jogador da América na temporada passada.


Há cerca de 8 anos, Bruno Henrique se destacava na Copa Itatiaia, tradicional torneio da várzea mineira, especialmente na final, quando marcou três gols e deu uma assistência, garantindo a taça para o seu bairro. Na oportunidade, o atacante rubro-negro foi eleito o craque e o artilheiro do torneio, enquanto “Neymar” ficou como a revelação do campeonato. Ambos receberam uma oportunidade no ​Cruzeiro, com salário de R$ 2.5 mil.

A dupla deixou tudo para trás para tentar tardiamente a carreira profissional em um grande clube do país. A expectativa pela realização do sonho era imensa, mas a realidade foi diferente.


Os atacantes não chegaram a atuar pela Raposa e logo foram emprestados para clubes de menor expressão do interior de Minas. Juninho, com diversos problemas de lesão, desistiu da trajetória aos 27 anos e voltou ao futebol amador.

Bruno Henrique




BH27 continuou. O atacante foi para o Uberlândia e também atuou pelo Itumbiara antes de receber uma oportunidade para defender o ​Goiás, em 2015, na elite do futebol brasileiro. No clube esmeraldino, Bruninho disputou 57 partidas, marcou 12 gols (7 no Campeonato Brasileiro) e conquistou o estadual. O camisa 27 foi vendido na temporada seguinte para o Wolfsburg, da Alemanha.


Trent Alexander-Arnold,Bruno Henrique Pinto

Apesar de não ter conseguido desempenhar o mesmo futebol na Europa, Bruno Henrique é lembrado por uma grande atuação que teve contra o Real Madrid, no jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões, quando deu uma assistência e ajudou o time a conquistar a vitória. O clube alemão, no entanto, foi eliminado no jogo de volta e o camisa 27, sem falar o idioma e com dificuldades para se adaptar, perdeu espaço e voltou ao Brasil.

Em 2017, Bruno Henrique chegou ao ​Santos e retomou o bom futebol. Dribles rápidos e muita eficiência no ataque. O atacante conquistou grande prestígio no Alvinegro Praiano e tinha alegria como nos tempos da várzea. A alegria, no entanto, não passou da primeira temporada e uma grave lesão na retina do olho direito quase encerrou a carreira do jogador.


Bruno Henrique

O problema ocular brecou a carreira do atacante em 2018 e Bruno Henrique não desenvolveu seu futebol. Sem um futuro certo, foi negociado com o Flamengo no início da última temporada como uma incógnita. A aposta do clube carioca deu certo e o atacante ‘da várzea’ atingiu o ápice de sua carreira, com 35 gols e deu 15 assistências em 62 partidas disputadas. O jogador ainda foi convocado pela Seleção Brasileira e levou o prêmio de Melhor Jogador do Brasileirão e também Craque da Libertadores de 2019.