​Nos últimos dias, ganhou força a possibilidade de Marco Aurélio Cunha, conselheiro vitalício do ​São Paulo, vir como candidato da 'terceira via' nas próximas eleições do clube paulista. Há entraves políticos para que este cenário se confirme, como sua atuação na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e distanciamento do Conselho Deliberativo tricolor, mas seu nome foi recebido com alguma empolgação por boa parte da torcida são-paulina. 

​​Para fãs do ​futebol feminino, essa imagem positiva que Marco Aurélio Cunha tem como gestor, junto à torcida tricolor, pode causar espanto. Atuando como coordenador da modalidade na CBF, o dirigente deixou muito a desejar em diversos momentos, negligenciando pautas e cobranças urgentes da categoria e tentando passar, publicamente, uma imagem de valorização e tratamento igualitário que não existiam nos bastidores da CBF. 


Recentemente, o dirigente gerou revolta aos torcedores da modalidade ao tratar como 'normal' um erro grosseiro cometido pela entidade: o atraso na comercialização de ingressos para o amistoso da Seleção Brasileira Feminina na Arena Corinthians, contra o México. Pior que a naturalização de um erro, foi a justificativa para a abertura das vendas somente com 48 horas de antecedência, alegando que a partida 'não lotaria e que haveria lugar para todas'. Em uma só declaração, desrespeitou o público que deseja consumir a modalidade e desvalorizou o futebol feminino, quando, na verdade, deveria atuar por sua valorização.

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Como é possível que este mesmo profissional seja a solução para os problemas do São Paulo? Bem, há alguns fatores que colaboram para explicar seu prestígio no Morumbi: foi figura ativa e atuante durante a 'era de ouro' do Soberano na primeira década deste século; tem mais de 20 anos de sua vida dedicados ao clube; e ressurge na política são-paulina em um momento de total 'terra arrasada', já que os anos sob a batuta de Leco foram extremamente nocivos ao Tricolor Paulista. Por ser passional e sonhar com a volta aos anos de glória, é natural que o torcedor associe quem fez parte último do ciclo virtuoso do clube à imagem de 'salvador'. A realidade, no entanto, pode ser bem diferente.