​Claramente, o clima interno no Cruzeiro não é dos melhores já há algum tempo. Desde a produção da reportagem por Rodrigo Capelo e Gabriela Moreira, que foi ao ar no Fantástico no dia 26 de maio explicitando as ilegalidades vividas internamente na Raposa, as coisas foram de mal a pior para o clube mineiro. Corta para esta semana, em que o diretor de futebol da equipe, Zezé Perrella, afirmou antes do jogo contra o Vasco, no último dia 02, que ​o principal culpado de tudo que vive o Cruzeiro é o técnico bicampeão da Copa do Brasil, Mano Menezes. No entanto, apontar os culpados não é simples assim. 


​​Diante de todo esse cenário, é importante ressaltar que a culpa de tudo o que está acontecendo com um dos maiores clubes do Brasil não é única e exclusivamente de apenas uma pessoa, e apontar um principal culpado em meio a tantas falcatruas e alegados crimes feitos pela gestão Wagner Pires de Sá e Itair Machado é de uma clara demonstração de covardia. 


Ao afirmar que o principal culpado é o Mano Menezes, Perrella claramente tenta se livrar de qualquer culpa que poderá futuramente cair sobre ele, afinal, vale lembrar que o presidente do Conselho Deliberativo do clube durante a atual gestão, que levou o clube a diversas dividas e até mesmo circular nas páginas policiais, era esse mesmo Zezé Perrella. Ou seja, se o clube chegou no nível em que está atualmente, é por que o próprio Conselho não agiu da forma necessária para afastar quem fazia mal ao clube, ou então era simplesmente conivente e concordante com o que estava acontecendo. 


No entanto, como já foi dito, não há apenas um culpado em toda essa história. O ex-treinador do clube, vencedor de duas Copas do Brasil, tem sim sua parcela de culpa em toda essa situação por ter priorizado as Copas (Libertadores e Copa do Brasil) ao invés do Brasileirão, além de ser extremamente "teimoso" em algumas escolhas técnicas e táticas. Mas cá entre nós, quem não priorizaria a Libertadores ao Campeonato Brasileiro? 

Mano Menezes

Sendo assim, não é possível, e muito menos justo, jogar toda a culpa de uma catástrofe sobre um treinador, que fez suas escolhas ao decorrer de seu comando. Além de Mano, os jogadores também são culpados por essa situação. A acomodação por serem campeões por dois anos seguidos e o alto ego em não concordar com as escolhas do treinador foram fatores culminantes para o suposto racha no elenco Cruzeirense. 


Em meio a todo esse caos, ​o meio-campista Thiago Neves pode ser considerado um dos pilares de toda essa confusão. Sempre nas "noitadas", Thiago não concordava mais com o estilo de jogo de Mano Menezes, e deixava isso claro para o público e para a imprensa, trazendo consigo a opinião de outros jogadores, como a do atacante Fred. As declarações de ambos os jogadores e a clara e evidente má vontade dentro de campo culminaram na queda do primeiro treinador cruzeirense no ano. 

Thiago Neves

Nessa altura do campeonato, o Cruzeiro figurava entre os últimos do Brasileirão e com uma missão dificílima na Copa do Brasil. Com isso, os jogadores pediram um treinador que "jogasse para frente", e foram atendidos com a chegada de Rogério Ceni. Entretanto, a alegria durou pouco. O atual técnico na época percebeu alguns jogadores fora de forma e que não estavam rendendo, e decidiu afastar alguns deles para aprimoramento físico. Péssima escolha num time que não tinha gestão e o comando estava na mão dos mesmos jogadores que ele afastou. 


Após a queda de Ceni, Abel Braga, o "paizão", foi contratado (talvez a pedido dos próprios atletas) para abraçar o elenco. Também não deu certo, e foi derrubado. Atualmente, o Cruzeiro conta com Adilson Batista, que tenta fazer um milagre nesses últimos dois jogos, e parece já ter feito algumas mudanças necessárias no elenco, parecido com o que Rogério Ceni havia tentado. Infelizmente para os cruzeirenses pode ser tarde demais. 


Com tudo isso, ainda restam citar os últimos, e talvez principais culpados por tudo que vive a Raposa. Wagner Pires de Sá e Itair Machado promoveram ao clube um das piores gestões de sua história, o que resultou na pior crise política da história do clube. Querendo ou não, o que acontece no extracampo prejudica o que acontece dentro das quatro linhas, ainda mais quando os salários não estão em dia, como é o caso do Cruzeiro. 

Com diversas ilegalidades feitas, incluindo uso de empresas de fachada e venda de jogadores de apenas 11 anos, com toda certeza a gestão 2018/19 do clube pode ser considerada a principal culpada por tudo que vive o Cruzeiro, e não um treinador, como quis afirmar Perrella.