Após 38 anos de espera, a América do Sul é novamente rubro-negra. No Monumental de Lima, no Peru, River Plate e Flamengo protagonizaram uma final elétrica, tensa e emocionante até os minutos finais, em um enredo que pouca gente imaginava: os argentinos dominaram a decisão da Libertadores por 85 minutos, mas em uma reação chocante e impulsionada pelo artilheiro Gabriel Barbosa, o Flamengo virou o jogo e venceu por 2 a 1.


​​Primeiro tempo: River domina meio e aproveita falha coletiva

Rafael Santos Borre

Empurrado pelos mais de 20 mil rubro-negros presentes no Monumental, o ​Flamengo tentou tomar as rédeas do jogo nos minutos iniciais, segurando a posse da bola no ataque e obrigando o River a sair jogando através de ligações diretas. Muito calejado, o time argentino reagiu bem à proposta do rival, diminuindo os espaços e tentando explorar contra-ataques pelo lado direito. Foi por este setor que o River chegou pela primeira vez ao ataque, e não precisou de mais para abrir o placar. Aos 14', Nacho foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para a grande área, Arão e Gerson se enrolaram na tentativa de corte e a bola acabou sobrando nos pés de Rafael Borré, que não desperdiçou. 1 a 0 para os atuais campeão, silenciando a parte rubro-negra em Lima.


O gol mexeu com o ímpeto do time carioca e aumentou a moral dos argentinos, que passaram a ganhar a maioria das divididas e levar a melhor nos embates um contra um. Conseguindo dominar o meio-campo, o River passou a tomar conta do jogo, explorando bastante os setores de Filipe Luís, com Montiel/Nacho, e de Rafinha, especialmente com o uruguaio De La Cruz. Aos 36', o time millonario quase ampliou com em um petardo de fora da área de Palacios, mas a bola passou caprichosamente tirando tinta da trave direita de Diego Alves.


Segundo tempo: Gabriel Barbosa conquista a América

Gabriel Barbosa

O Flamengo voltou do intervalo sem mudanças na escalação, e o enredo dos primeiros minutos do segundo tempo foi bem parecido com o que vimos na etapa inicial. A primeira chegada foi do Flamengo, aos 2', com Gabriel Barbosa arriscando finalização de média distância e parando em defesa tranquila de Armani. Nos minutos seguintes, o River ensaiou pressão através de bolas paradas consecutivas, todas rechaçadas pela defesa rubro-negra. Em uma sobra de escanteio, o time carioca conseguiu encaixar um belíssimo contra-ataque: Everton Ribeiro avançou pela direita e tocou para Bruno Henrique, que invadiu a área e cruzou rasteiro. Arrascaeta furou e a bola sobrou para Gabriel que, de frente para o gol, teve chute travado pela marcação. Everton ainda pegou a sobra, mas sua finalização parou em Armani.


A partir da metade do segundo tempo, o jogo foi ganhando contornos dramáticos. O Flamengo perdeu Gerson, por lesão, e Gallardo realizou três substituições quase consecutivas por conta do nítido desgaste físico da equipe argentina. A partir dos 30', o Rubro-Negro foi para o tudo ou nada e tentou emplacar uma pressão, mas em duas oportunidades agudas, demorou demais a finalizar e ficou na marcação rival. Aos 35', o River quase matou a final, mas Palacios perdeu na cara do gol após receber belo passe de Matias Suárez. 


Mas o futebol é uma caixinha de surpresas, e costuma premiar quem não desiste. O Flamengo foi guerreiro e seguiu martelando, até que praticamente em dois lances seguidos, aos 44 e aos 46, chegou à virada fulminante com dois gols dele, Gabigol. 



A massa rubro-negra presente no estádio foi à loucura com a virada, que ainda teve duas expulsões já nos instantes derradeiros, do próprio camisa 9 do Fla e de Palacios. Nada que pudesse diminuir o brilho da festa no Monumental. Flamengo, bicampeão da Copa Libertadores!