​Há anos e anos, a plataforma ​90min dedicou seu trabalho a falar de tudo que é possível sobre futebol. A maior parte do tempo sobre campo, bola e gol. Mas nem sempre conseguimos. Algumas vezes, os assuntos saem das quatro linhas para entrar em lugares diversos. E, não raro, falamos de preconceito. Só que agora vamos falar sem deixar sobrando pingo em nenhum "i". É a hora do basta.

Dinamo Zagreb v Shakhtar Donetsk: Group C - UEFA Champions League


No último fim de semana, dois episódios lamentáveis, de cunho racista, aconteceram no mundo futebolístico. ​Taison e Denti​nho sofreram fortes consequências na Ucrânia, enquanto no Brasil vimos um torcedor atleticano tendo atitude repugnante com um funcionário no ​Mineirão, no clássico entre Galo e Cruzeiro. Não há meias palavras, foram atos que não apenas devem ser evitados. Elas devem ser condenados. Como Taison bem disse, não basta somente não ser racista, temos que ser antirracistas. Em um português claro, o que se passa na cabeça desta gente?!


Há cerca de um mês, ​Roger Machado explicou sobre o racismo estrutural no Brasil. Aquele que pouco se nota a olho nu, sutil e que se perpetua através de gestos, números e presunções muitas vezes inconscientes pela forma em que foi moldada nossa sociedade. Sempre há tempo para mudar, mas em alguns casos não se trata de uma mera mudança. É caráter. O torcedor que se sentiu à vontade de desmerecer a cor alheia, em público e numa era em que todo mundo grava tudo com celular, assim o fez porque se sente respaldado para isso. Punir, além de educar, é preciso. Tem gente que só assim. Ou nem assim.


Vivemos tempos de ódios gratuitos, muitas das vezes virtualmente. Seja por visões políticas ou discussões tolas, são raras as vezes em que se nota a real vontade de apenas conversar para aprender mais no debate das ideias. Xingar, ofender, desmerecer. Lealdade à fala do próximo é artigo cada vez mais escasso. Quando o "argumento" parte para a cor da pele, a etnia e a raça, por assim dizer, aí o buraco é ainda mais embaixo. 


Nós não vamos tapar este buraco e fingir que ele não existe. A paixão pelo futebol é linda, o esporte é muito relevante no aspecto também social e com certeza representa valores democráticos que nem os filósofos gregos do passado poderiam imaginar. No entanto, às vezes se ultrapassam linhas, em que nossos valores fora do estádio entram colados na nossa alma. Quando acontece esse tipo de coisa, que se mudem esses valores, mudem as almas


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O dito popular diz que "quem cala, consente". Nós, como uma plataforma que acredita na diversidade e no esporte como ferramenta de inclusão que pode mudar vidas, jamais consentiremos com o racismo. Não há "supostos" nesses dois casos e em tantos outros que surgiram ultimamente. São criminosos e que paguem como tais. Talvez assim percebam que a cor do sol é a mesma para todas as pessoas. Mas, para uma parte delas, ele nasce quadrado por algum motivo.