A situação do ​Fluminense no início da rodada 31 era desesperadora. Para muitos, o jogo contra o São Paulo no Morumbi era mais uma derrota garantida, afinal, o time das Laranjeiras havia conseguido somar apenas dois pontos contra Chapecoense, Ceará e Vasco. Foi então que o improvável aconteceu e, com uma atuação bastante sólida e consciente taticamente, o clube carioca saiu da capital paulista com importantíssimos três pontos na bagagem.


​​Curiosamente, a vitória da 'luz no fim do túnel' veio justamente na semana mais tumultuada para o clube. Além de novas dívidas trabalhistas vindo à tona, os últimos dias foram de caos total nos bastidores políticos tricolores: as divergências entre Celso Barros (vice) e Mário Bittencourt (presidente) nunca foram tão evidentes, sonoras e escancaradas, a ponto do segundo chegar a afastar o primeiro da viagem à São Paulo junto da delegação.


As rusgas entre os dois principais mandatários tricolores se arrasta, sem nenhum exagero, desde a montagem da chapa. Após vencerem as eleições, logo divergiram em uma decisão crucial de grandes proporções: Mário queria a manutenção de Fernando Diniz, enquanto Celso exigia a demissão do treinador pelos maus resultados. O segundo prevaleceu. E o próprio foi quem intermediou a chegada de ​Oswaldo de Oliveira às Laranjeiras. 

Oswaldo de Oliveira

A comissão técnica voltou a ser motivo de discórdia entre os 'parceiros' nas últimas semanas: após um bom começo como interino, Marcão viu sua equipe involuir e ficar cinco rodadas sem vitória. Mário era entusiasta da manutenção, enquanto Celso queria a ruptura. Mas desta vez quem prevaleceu foi o presidente, o que gerou reações públicas desmedidas do vice.


O ano tricolor é caótico nas finanças, nas mudanças de seu elenco e em todos os seus níveis de comando, receita perfeita para o rebaixamento. Há talento e qualidade suficientes neste grupo atual para se alcançar 45 pontos e escapar do Z-4 mas, para isso, o clube precisa urgentemente deixar de lado essas brigas de ego, extremamente nocivas para o ambiente. O momento exige união, ainda que as diferenças sejam tão evidentes.

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