Recordista em ingressos comercializados e sucesso de audiência pelos quatro cantos do mundo, a ​Copa Feminina de 2019 foi considerada um 'divisor de águas' para a modalidade, aos olhos de seus fãs, entusiastas e profissionais. O momento é de empolgação e de mudança positiva: ainda que estejamos distantes da tão sonhada equidade de gênero no esporte, já percorremos um longo caminho, encabeçado por mulheres corajosas que, há muitas décadas atrás, ignoraram o proibicionismo e foram pioneiras para a inserção feminina em espaços que costumavam dizer que não nos pertenciam


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​​No último domingo (20), o Museu do Futebol, situado em São Paulo, despediu-se de uma exibição que foi um verdadeiro sucesso de público. Intitulada 'Contra-Ataque, as mulheres do futebol', a exposição contava a história do ​futebol feminino no Brasil, com seus primeiros registros ainda datando dos anos 20/30, passando pelas décadas de resistência - anos 40 a 80, quando a prática do futebol e outros muitos esportes era proibida para mulheres no país -, e fechando nas gerações futuras, ilustradas pela inspiradora ​Natália Pereira, menina de nove anos que vem rompendo barreiras de gênero em sua jornada para ser uma jogadora profissional.


Concluindo a programação da exposição, mulheres de todos os campos - jornalistas, atletas e ex-atletas, gestoras, professoras de Educação Física -, promoveram um debate sobre a atual realidade feminina no esporte, tanto nos gramados, quanto nos escritórios, nas mesas redondas e nos microfones. Entre novas ideias para alavancar a modalidade e ocupar cada vez mais esses espaços citados, algo fundamental não foi esquecido: a reverência às mulheres pioneiras na luta para que o esporte também fosse nosso, verdadeiramente nosso. Nós, nas rádios, nas televisões, nos cargos de alta gerência, no alto rendimento. Nós, protagonistas.

Se Cristiane e Marta fazem história agora, somos gratas à Leda Maria, Sissi e tantas outras mulheres de fibra que superaram os anos de proibição e foram pioneiras na busca pela profissionalização do futebol feminino. Se a excelente Edina Alves tem brilhado arbitrando na ​Série A, agradecemos Léa Campos e Silvia Regina, primeiras mulheres a apitar jogos em solo brasileiro. Se hoje eu posso escrever nesse espaço, cada vez mais meu e de tantas que sonham com o jornalismo esportivo, agradeço às décadas de luta delas.

(Crédito das fotos: Nathália Almeida)